João Pessoa, quarta-feira, 19 de agosto de 2026
Nem Assis Chateaubriand, o “Rei do Brasil”, conseguiu a reeleição ao Senado na Paraíba
12/01/2026 05:01
Redação ON Reprodução

Como mostramos ontem no Portal Norte Online, a cadeira de senador pela Paraíba parece ter espinhos para quem tenta sentar nela por dois mandatos seguidos. A história política do nosso estado é um cemitério de tentativas frustradas de reeleição para a Câmara Alta. Mas, se serve de consolo para os políticos atuais, essa rejeição do eleitorado paraibano a “repetecos” já vitimou figuras muito mais poderosas. O exemplo mais emblemático — e curioso — é o de Assis Chateaubriand, o lendário “Chatô”.
Retratado como o “Rei do Brasil” no icônico livro de Fernando Morais, dono dos Diários Associados, um império que reunia mais de 100 jornais, revistas, rádio e a TV Tupi, Chatô era, na prática, o “dono da opinião pública” no Brasil dos anos 50. Ele queria ser senador para ter imunidade e tribuna, mas escolheu o caminho mais curto — e controverso — para chegar lá.

A eleição sem concorrentes de 1952

Chatô não se tornou senador pela Paraíba, inicialmente, pelo voto popular direto. Sua entrada no Congresso foi fruto de uma das manobras mais audaciosas da política nacional.
Em 1952, usando todo o peso de sua influência midiática, Chateaubriand pressionou o então senador paraibano Vergniaud Wanderley e seu suplente, Antônio Pereira Diniz, a renunciarem aos cargos. Com a cadeira vaga, foi convocada uma eleição suplementar.
O acordo de cúpula foi tão amarrado que Chatô concorreu como candidato único. Sem adversários e com o apoio da máquina estadual, ele foi “eleito” para um mandato tampão de dois anos. Parecia que a Paraíba estava no bolso do magnata.

O troco das urnas em 1954

O cenário mudou drasticamente dois anos depois, nas eleições gerais de outubro de 1954. Desta vez, Chatô precisava da legitimação popular para garantir um mandato completo de oito anos. Não havia mais como concorrer sozinho: era ele contra as lideranças locais e, principalmente, contra a vontade do povo.
A campanha de Chateaubriand foi faraônica para os padrões da época, com cobertura massiva de seus próprios veículos. Mas o eleitor paraibano não comprou a ideia. Visto como um “estrangeiro” que usava o estado apenas como trampolim para suas brigas de poder no Rio de Janeiro, Chatô sofreu uma derrota humilhante.
As duas vagas para o Senado ficaram com a “prata da casa”: Argemiro de Figueiredo e Rui Carneiro. O homem que derrubava ministros e elegia presidentes com suas manchetes não conseguiu convencer o eleitor de Campina Grande e João Pessoa a lhe dar mais oito anos de mandato.

A teimosia do barão da mídia

A história confirma a tese levantada ontem por Norte Online: o paraibano é rigoroso na hora de reconduzir senadores.
Para Chatô, a rejeição na Paraíba foi apenas um obstáculo geográfico. Inconformado em ficar sem mandato, ele repetiria a mesma manobra de “pressão e renúncia” poucos meses depois, em 1955 — desta vez no Maranhão, onde finalmente conseguiu voltar ao Senado. Mas, na Paraíba, a escrita foi mantida: aqui, nem o “Rei do Brasil” teve cadeira cativa.

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