O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu mudar o comando do INSS em uma tentativa de acelerar a redução da fila de benefícios. O procurador federal Gilberto Waller Júnior foi substituído por Ana Cristina Viana Silveira, servidora de carreira do órgão.
A avaliação dentro do Ministério da Previdência é que o foco agora precisa sair do enfrentamento às fraudes e se concentrar na melhoria da gestão e na diminuição do tempo de espera. Investigações sobre descontos indevidos em aposentadorias e pensões já estariam em estágio avançado, permitindo redirecionar esforços para o atendimento da demanda acumulada.
Waller havia assumido a presidência do INSS no fim de abril do ano passado, após a saída de Alessandro Stefanutto, que deixou o cargo depois de ser atingido por uma operação da Polícia Federal que investigou fraudes bilionárias. Durante os 11 meses de gestão, Waller acumulou desgastes internos, incluindo atritos com o ministro da Previdência, Wolney Queiroz.
Entre os episódios de tensão, está um pedido de afastamento de uma servidora por suposta ligação com a gestão anterior, que não avançou por falta de comprovação. Internamente, a condução do órgão também era vista como excessivamente concentrada em uma única estratégia para reduzir a fila: o pagamento de bônus a peritos, medida considerada insuficiente diante do volume de solicitações.
A nova presidente, Ana Cristina Viana Silveira, é considerada uma escolha direta do ministro Wolney Queiroz, que ganhou mais espaço para montar sua equipe ao optar por permanecer no governo. Ela terá como missão reorganizar o ambiente interno do INSS, descrito como tensionado, e acelerar a análise dos pedidos.
A troca no comando também tem um componente político. O crescimento da fila vinha sendo visto como um potencial fator de desgaste para o governo em ano pré-eleitoral. Apesar disso, houve uma leve melhora recente: o número de pedidos caiu de 3,1 milhões para 2,7 milhões em março. Ainda assim, o fluxo segue elevado, com média de 61 mil novos requerimentos por dia, acima dos 59 mil registrados em fevereiro.

