O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira (21) que o Brasil pode adotar medidas de reciprocidade caso seja confirmada alguma irregularidade na expulsão do delegado Marcelo Ivo de Carvalho dos Estados Unidos. A declaração foi dada após o petista ser informado sobre o episódio ainda pela manhã, em meio à sua agenda internacional.
Sem entrar em detalhes sobre o ocorrido, Lula indicou que o governo brasileiro não aceitará atitudes que considere desrespeitosas por parte de autoridades estrangeiras. Segundo ele, qualquer eventual excesso cometido contra o representante da Polícia Federal poderá gerar reação proporcional em território brasileiro.
A fala ocorreu na Alemanha, pouco antes do embarque para Portugal, onde o presidente segue com compromissos oficiais. O caso envolvendo o delegado ganhou repercussão após a confirmação de sua saída do território norte-americano, determinada por autoridades dos Estados Unidos.
Marcelo Ivo exercia a função de elo entre a Polícia Federal brasileira e o órgão americano responsável por aplicar leis de imigração e alfândega. Ele também teve atuação em investigações de grande repercussão no Brasil, como a que levou à prisão do ex-diretor da Abin, Alexandre Ramagem.
Com a saída do delegado, a Polícia Federal já definiu substituição. A delegada Tatiana Alves Torres foi designada para assumir o posto de ligação junto ao órgão americano.
Durante a conversa com jornalistas, Lula também abordou o cenário internacional e criticou o aumento das tensões envolvendo os Estados Unidos. O presidente classificou como desnecessários os conflitos armados recentes e defendeu soluções diplomáticas para disputas entre países.
Ele citou, como exemplo, a chamada “Declaração de Teerã”, iniciativa mediada pelo Brasil em 2010, que buscava um entendimento sobre o programa nuclear iraniano. Para Lula, a recusa ao acordo acabou contribuindo para o agravamento das tensões que hoje marcam a relação entre os países envolvidos.
A agenda presidencial segue em Portugal, onde estão previstos encontros com o primeiro-ministro Luís Montenegro e com o presidente António José Seguro, marcando a etapa final da viagem europeia.

