Com a voz completamente rouca e visivelmente emocionado, o presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) transformou seu discurso de vitória, na noite deste domingo (25), em um recado às gigantes da tecnologia: pretende regular as plataformas digitais, que acusou de interferir na disputa eleitoral. Entre agradecimentos e críticas aos adversários, Lula colocou o enfrentamento ao poder dessas empresas entre as prioridades do próximo mandato.
“A gente teve que vencer a intromissão vinda de fora para dentro através de plataformas digitais, que nós teremos que regular”, afirmou. O presidente acusou empresas bilionárias de tentar direcionar o resultado das urnas e criticou o que considera falta de contribuição tributária dessas companhias ao Brasil. Também defendeu que crimes cometidos no ambiente digital recebam tratamento equivalente aos praticados fora dele.
Lula não mencionou nominalmente a Meta, dona do Facebook, Instagram e WhatsApp, mas o discurso ocorre depois de sucessivos confrontos entre a empresa e sua campanha. Durante o segundo turno, os petistas denunciaram restrições a conteúdos favoráveis ao presidente e tratamento desigual entre as candidaturas. A Meta negou favorecimento político e interferência eleitoral, atribuindo parte dos episódios a problemas técnicos.
A defesa da soberania também apareceu quando Lula falou sobre inteligência artificial. O presidente afirmou que quer desenvolver uma tecnologia brasileira, reduzindo a dependência de sistemas produzidos em outros países, especialmente nos Estados Unidos.
Abraço em Janones e reconhecimento a Alckmin
Um dos momentos mais afetuosos da comemoração foi o abraço no deputado André Janones, em um gesto de reconhecimento à mobilização digital no segundo turno. O parlamentar comandou o “Exército do Lula”, que reuniu mais de 10 milhões de pessoas no WhatsApp e ajudou a ampliar a circulação de conteúdos favoráveis ao presidente.
A reação nas urnas levou Lula à maior votação nominal da história das eleições presidenciais brasileiras. Às 22h05, com 99,98% das urnas apuradas, ele somava 64.241.786 votos, ou 51,78% dos válidos. Eram 10.362.248 votos a mais que os 53.879.538 recebidos no primeiro turno. A marca supera seu próprio recorde de 2022, quando conquistou 60.345.999 votos.
Antes de discursar, Lula passou a palavra a Geraldo Alckmin. Ao agradecer ao vice e à equipe, afirmou ser um privilégio contar com um companheiro de governo com sua lealdade e competência.
O tom mudou ao recordar os debates. Sem citar Flávio Bolsonaro pelo nome, Lula demonstrou ressentimento com a conduta do adversário, a quem atribuiu mentiras repetidas e falta de humanidade. A emoção pela vitória dividiu espaço, assim, com as marcas de uma campanha que o presidente descreveu como um enfrentamento à mentira e à interferência externa.