O Nordeste voltou a ser decisivo para a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Às 21h09 deste domingo (25), o Tribunal Superior Eleitoral confirmou a reeleição do presidente: com 96% das urnas apuradas, Lula tinha 51,74% dos votos válidos, contra 48,26% de Flávio Bolsonaro (PL). A diferença já não podia ser revertida.
A força eleitoral nordestina foi determinante para a construção da vantagem nacional. Lula liderava nos nove estados da região, reafirmando uma ligação que atravessa suas disputas presidenciais. A vitória teve também o impulso de uma mobilização popular que ultrapassou as estruturas partidárias, com estudantes e apoiadores empenhados nas ruas e nas redes sociais.
Uma das expressões dessa mobilização foi o “Exército do Lula”, canal de WhatsApp comandado pelo deputado André Janones, que chegou a 10 milhões de seguidores antes da votação. A ferramenta organizou ações de compartilhamento de mensagens e convocou apoiadores a incentivar o comparecimento às urnas, inclusive oferecendo caronas a eleitores.
Os dados parciais também apontavam redução da abstenção: o índice estava próximo de 19%, diante de 21,07% no primeiro turno. O maior comparecimento marcou o desfecho da disputa, embora seu efeito específico sobre a votação de cada candidato ainda dependa de análise dos resultados consolidados.
Flávio Bolsonaro e seus aliados também contribuíram politicamente para a virada ao alimentar o sentimento de “já ganhou”. Mal terminou o primeiro turno, passaram a discutir a formação de um ministério, como se a segunda votação fosse apenas uma formalidade. A confiança antecipada na vitória subestimou a capacidade de reação de Lula e a mobilização de seus eleitores. O que parecia, para o grupo, uma simples obrigação do calendário eleitoral terminou em uma derrota que expôs o custo da soberba.
A vitória de Lula contrariou a vantagem numérica de Flávio na maioria das pesquisas da reta final. Entre 18 levantamentos nacionais reunidos pelo Poder360, apenas um colocava Lula à frente: o Vox Brasil, divulgado na sexta-feira (23), com 50,6% contra 49,4%. Os demais não autorizavam tratar a vitória de Flávio como certa, mas tampouco anteciparam, nesse conjunto, a vantagem que Lula alcançou nas urnas. Mais uma vez, o Nordeste teve papel central no desfecho.