João Pessoa, segunda-feira, 26 de outubro de 2026
Lucas bancou a disputa de Lula no 2º turno e saiu da eleição maior do que entrou
26/10/2026 05:26
Redação ON Reprodução

A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva também fortalece uma liderança que decidiu se expor quando o caminho parecia mais difícil: o governador da Paraíba, Lucas Ribeiro. Filiado ao Progressistas, cuja direção nacional apoiou Flávio Bolsonaro, Lucas manteve sua posição e entrou de cabeça na campanha petista. Sua participação foi uma das demonstrações mais claras de independência política deste segundo turno.

A escolha tinha consequências. Com o próprio mandato assegurado no primeiro turno, Lucas poderia ter reduzido sua exposição na disputa presidencial. Preferiu mobilizar aliados, defender a parceria com o governo federal e assumir publicamente sua responsabilidade pelo palanque de Lula na Paraíba. A cúpula da federação União-PP chegou a procurar integrantes favoráveis ao petista para pedir que se abstivessem da disputa. Lucas permaneceu na campanha, embora tenha declarado que não sofreu represálias partidárias.

Havia também um risco político: atravessar os próximos quatro anos tendo no Palácio do Planalto o adversário que ajudara a enfrentar. Isso não permite presumir que haveria retaliação, mas ajuda a dimensionar sua decisão. Questionado pela CNN sobre uma eventual vitória de Flávio, o governador afirmou esperar de qualquer presidente o mesmo compromisso que dizia manter com os 223 municípios paraibanos, independentemente do alinhamento de seus prefeitos.

O empenho ganhou projeção nacional. Lucas apareceu em levantamento da GloboNews sobre as lideranças mobilizadas pela reeleição de Lula, identificado como coordenador regional, ao lado de nomes como André Janones, Erika Hilton e Eduardo Paes. O jovem governador ampliava sua presença para além das fronteiras da Paraíba justamente numa campanha em que poderia ter escolhido uma participação discreta.

Era mais um capítulo de uma trajetória eleitoral que contrariou expectativas. Escolhido para dar continuidade ao projeto de João Azevêdo, Lucas enfrentou adversários experientes e demonstrou desenvoltura nos debates, firmeza nas respostas e capacidade de ocupar o espaço que parte dos concorrentes parecia considerar grande demais para ele. Sua vitória no primeiro turno, com mais de 64% dos votos válidos, já havia dado uma resposta às avaliações que o subestimavam.

Na noite deste domingo (25), ao comemorar a reeleição de Lula, o governador atribuiu à mobilização dos paraibanos um crescimento superior a 250 mil votos para o presidente no estado. “Essa é a vitória do SUS, essa é a vitória da democracia, daqueles que defendem políticas públicas que olham para as pessoas que mais precisam”, declarou.

Lucas relacionou o resultado à continuidade de projetos como o Hospital do Trauma do Sertão, o Hospital da Mulher do Sertão, em Sousa, o Ramal Piancó da transposição do São Francisco e as policlínicas. Ao encerrar, retomou a expressão que marcou sua própria campanha: “É daqui pra melhor. Simbora!”

O resultado não pertence a um único cabo eleitoral. Mas a participação de Lucas merece ser examinada pelo que revelou: disposição para assumir posição, sustentar uma aliança e trabalhar por ela quando a vitória estava longe de assegurada. Lula conquistou outro mandato. Lucas consolidou uma voz própria.

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