sexta-feira, 24 de julho de 2026
João Pessoa vive auge do turismo e reforça proteção de Areia Vermelha
26/03/2026 05:44
Redação ON Reprodução

João Pessoa atravessa um momento raro de convergência entre visibilidade, investimentos e projeção nacional no turismo. A capital paraibana segue figurando entre os destinos mais procurados em plataformas especializadas, enquanto começa a consolidar, na prática, um ciclo de crescimento que durante anos foi tratado apenas como promessa.

E esta quarta-feira (25) foi um retrato claro desse novo momento. A inauguração do Tauá Resort João Pessoa, primeiro grande empreendimento do Polo Turístico Cabo Branco, marcou não apenas a entrega de uma estrutura de grande porte, mas a materialização de um projeto que ficou décadas no papel. Com investimento superior a R$ 700 milhões, o resort chega com números expressivos e a missão de atrair novos negócios, ampliando a capacidade de hospedagem e reposicionando o estado no mapa do turismo nacional.

O governador João Azevêdo sintetizou o clima com uma frase que chamou atenção: “é a nossa nova Cancún”. A comparação pode soar otimista demais, mas revela a expectativa de transformação econômica e turística a partir da consolidação do polo.

A leitura é reforçada pelo ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, que esteve na capital e falou abertamente em mudança de patamar. Segundo ele, a chegada de resorts, hotéis e outros equipamentos turísticos deve ampliar o fluxo de visitantes e impactar diretamente setores como transporte, gastronomia e serviços, criando um efeito em cadeia na economia local.

Areia Vermelha

Mas o avanço do turismo também traz um desafio inevitável: organizar o uso dos seus principais atrativos naturais. E é nesse ponto que entra uma medida menos vistosa, porém decisiva para o futuro do setor.

O Parque Estadual Marinho de Areia Vermelha, em Cabedelo, um dos cartões-postais mais procurados do litoral paraibano, passará a operar sob regras mais rígidas de navegação e visitação. As mudanças foram definidas em reunião com participação do Ministério Público da Paraíba, Capitania dos Portos, Sudema, órgãos ambientais e representantes do setor náutico.

Entre as principais determinações, está a exigência da Carteira de Habilitação de Amador para todos os condutores de embarcações, documento que passa a ser obrigatório para a liberação das saídas. Também haverá reforço nas orientações aos turistas, com informações claras sobre riscos da navegação, preservação ambiental e responsabilidades legais.

O horário de visitação permanece controlado, das 8h às 16h30, e o descumprimento das normas poderá resultar em sanções administrativas e até medidas judiciais.

A sinalização é clara: João Pessoa quer crescer, mas sem abrir mão daquilo que sustenta sua atratividade. Se a inauguração de grandes empreendimentos aponta para um novo ciclo econômico, a regulamentação de áreas sensíveis como Areia Vermelha mostra que o poder público começa a tratar o turismo como atividade estratégica — que exige planejamento, controle e preservação.

Entre o entusiasmo de quem fala em novo patamar e a cautela de quem impõe regras, a capital paraibana dá sinais de que tenta, enfim, equilibrar expansão e responsabilidade. E é nesse equilíbrio que pode estar o verdadeiro diferencial desse novo momento.

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