As investigações e revelações envolvendo o Banco Master mudaram momentaneamente o foco político do escândalo. Se até poucos dias o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) era um dos personagens mais associados ao caso, agora o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), passou a ocupar o centro das atenções após ser alvo da nova fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal.
Mas Jaques Wagner não está sozinho no olho do furacão. O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), também enfrenta um crescente desgaste de imagem. As revelações sobre sua relação com o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, ganharam grande repercussão e colocaram o paraibano no centro das discussões políticas e digitais.
Hugo Motta admitiu ter solicitado a Vorcaro a liberação de um empréstimo de R$ 22 milhões para uma empresa da cunhada e confirmou ter viajado para Portugal em um jato particular do empresário, a convite do senador Ciro Nogueira, com hospedagem em hotel de luxo custeada pelo ex-banqueiro. Os episódios ocorreram em 2024 e aumentaram os questionamentos sobre a proximidade entre o presidente da Câmara e o empresário investigado.
Segundo levantamento da Ativaweb DataLab divulgado pela coluna de Lauro Jardim, em O Globo, Hugo Motta tornou-se o principal rosto da crise nas redes sociais. O monitoramento identificou mais de 14,5 milhões de menções sobre o escândalo, com predominância de manifestações negativas, fortalecimento da narrativa de impunidade e aumento do desgaste institucional. A Paraíba, estado de origem do deputado, aparece entre os principais focos da repercussão digital.
O episódio amplia as dificuldades políticas de Hugo Motta num momento em que seu nome vinha sendo projetado nacionalmente pela presidência da Câmara. Agora, ao lado de Jaques Wagner, o deputado paraibano divide o protagonismo de uma crise que promete continuar produzindo desdobramentos políticos e judiciais.

