O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), surpreendeu líderes partidários na reunião desta quarta-feira (30/4) ao adotar um tom mais crítico com o governo e acenar, ainda que sutilmente, a interesses da base bolsonarista.
Segundo relatos de parlamentares presentes, Motta não poupou críticas ao PT, especialmente ao líder da bancada, Lindbergh Farias (RJ), por ter recorrido ao Supremo Tribunal Federal para tentar barrar a votação da suspensão das investigações contra o deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ). O presidente da Câmara teria classificado a atitude como contraditória: “Criticam o ativismo do Supremo, mas são os primeiros a bater à porta da Corte para resolver temas internos do Legislativo”, reclamou.
O episódio marca uma mudança de postura de Motta, que vinha sendo considerado “governista em demasia” por aliados do Centrão. Agora, o paraibano parece ajustar o tom, em especial diante da pressão de parlamentares alinhados ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Lideranças de direita afirmam que Motta demonstrou disposição para pautar um texto sobre a anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro — prioridade número 1 da base bolsonarista. A proposta seria construída pelo Centrão e poderia contemplar parte das demandas dos aliados de Bolsonaro.
Uma reunião com Motta está prevista para a próxima terça-feira (6/5) com o objetivo de discutir o conteúdo do texto. A ideia é buscar um entendimento conjunto com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que deve apresentar a versão inicial do projeto.

