João Pessoa, sexta-feira, 16 de outubro de 2026
Flávio desvia de perguntas e transforma sabatina na Globo em ataques a Lula
16/10/2026 21:57
Redação ON Reprodução

Flávio Bolsonaro (PL) adotou uma estratégia recorrente no primeiro bloco da sabatina da Globo, nesta sexta-feira (16): redirecionar perguntas sobre sua candidatura e sua família para atacar Lula (PT). A insistência levou Renata Lo Prete a intervir repetidamente para reconduzir o candidato ao assunto perguntado.

Foi assim quando surgiu o filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro: antes de enfrentar o questionamento, Flávio levou a conversa para o filme sobre Lula. Na segurança pública, também recorreu a acusações contra o adversário. Mudava a pergunta, mas o caminho escolhido frequentemente levava ao mesmo destino: o presidente que disputa com ele o segundo turno.

O comportamento marcou um contraste com a entrevista de Lula, na véspera. Embora o petista tenha criticado o governo Bolsonaro, evitou fazer de Flávio o centro de suas respostas. Na abertura da sabatina desta sexta, o senador seguiu a direção oposta, usando os questionamentos como oportunidades para confrontar um adversário ausente.

Entre as declarações sobre um eventual governo, Flávio afirmou que pretende cumprir apenas um mandato, sem disputar a reeleição. Disse também que não planeja colocar o pai em função administrativa e descartou Eduardo Bolsonaro como chanceler. Ao defender o irmão, apresentou-o como um injustiçado e sustentou que sua atuação nos Estados Unidos busca resgatar a democracia brasileira.

Já a pergunta sobre respeitar o resultado das urnas ficou sem uma confirmação inequívoca no trecho acompanhado. Flávio respondeu com a afirmação de que será eleito presidente, deslocando o foco do compromisso democrático para sua expectativa de vitória. Dizer que vai ganhar, porém, não esclarece como pretende agir se perder.

O primeiro bloco deixou, assim, uma marca clara da estratégia do candidato: trazer Lula para o centro da conversa, mesmo quando a pergunta exigia explicações sobre suas próprias escolhas. É um retrato parcial da entrevista, mas suficiente para mostrar o tom escolhido por Flávio na abertura da sabatina.

Considerações finais

Nas considerações finais, Flávio Bolsonaro voltou a atacar Lula e pediu aos eleitores uma oportunidade para governar o país. O candidato afirmou que faltam nove dias para encerrar o que chamou de “página triste da história”, em referência à gestão petista, e acusou o adversário de fazer promessas que não poderá cumprir. “Eu vou trabalhar com a verdade, eu não vou ser igual a esse cara”, declarou.

O senador apresentou três compromissos: não prometer o que não puder entregar, reorganizar a economia para recuperar o poder de compra da população e trabalhar pela segurança pública. Ao mencionar o combate à violência, incluiu a entrevistadora Renata Lo Prete entre aqueles que, segundo ele, precisam voltar a andar nas ruas com segurança.

Na despedida, Flávio pediu que seus apoiadores buscassem votos entre os indecisos e as pessoas que não compareceram ao primeiro turno. “Consegue mais um votinho pra mim?”, perguntou, antes de reforçar seu nome e número na urna. O encerramento manteve o tom observado desde o início da sabatina: críticas a Lula combinadas com um apelo à mudança.

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