A campanha em defesa da eleição direta para a escolha dos integrantes do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), iniciada pelo ex-presidente da OAB-PB José Mário Porto Júnior, ganhou mais um apoio de peso. Desta vez, quem aderiu ao movimento foi o ex-presidente da OAB de Minas Gerais, Raimundo Cândido, que está em João Pessoa e fez uma crítica contundente ao atual modelo eleitoral da entidade.
“Desde meu primeiro mandato na Presidência da OAB mineira sempre preguei eleições diretas na OAB em todos os níveis. Inclusive, na primeira eleição que disputei fui o mais votado, mas não fui o presidente. A OAB é uma casa de ferreiro com espeto de pau”, afirmou.
A declaração fortalece um movimento que começou na Paraíba, ganhou repercussão nacional após reportagens publicadas por O Norte Online e pelo Jornal de Brasília, e vem reunindo apoios de nomes históricos da advocacia brasileira. A proposta defende que todos os advogados regularmente inscritos possam votar diretamente para a composição do Conselho Federal da Ordem.
Entre as adesões mais relevantes está a do ex-procurador-geral da República Aristides Junqueira, que também se manifestou favoravelmente à mudança. “Sou a favor de eleições diretas por todos os advogados inscritos regularmente na instituição”, declarou o jurista, que comandou o Ministério Público Federal entre 1989 e 1995.
Outras lideranças da advocacia também passaram a defender a proposta, indicando que o debate sobre a democratização da estrutura interna da OAB deixou de ser uma iniciativa regional para ganhar alcance nacional.
Os defensores da mudança lembram que a OAB construiu sua história como uma das principais vozes em defesa da democracia brasileira, participando de momentos decisivos da vida política do país, como a campanha pelas Diretas Já e a redemocratização. Para eles, esse protagonismo precisa agora ser refletido também na forma de escolha de seus dirigentes nacionais, ampliando a participação direta dos mais de um milhão de advogados brasileiros nas decisões da entidade.