sexta-feira, 24 de julho de 2026
Enquanto a briga judicial persiste, não tem Réveillon – e o Hotel Tambaú apodrece
18/04/2026 05:10
Redação ON Reprodução

O que poderia ser hoje um dos principais motores do turismo de João Pessoa segue fechado, deteriorando à beira-mar, refém de uma disputa que parece não ter fim. A cada novo capítulo no Judiciário, o cronograma de reabertura se afasta ainda mais da realidade.

A decisão mais recente do Superior Tribunal de Justiça foi clara: por unanimidade, manteve o grupo A Gaspar, do Rio Grande do Norte, como vencedor da disputa e legítimo proprietário do hotel. Foi uma vitória expressiva, mas não definitiva. Há recurso em andamento – e isso, por si só, já é suficiente para travar qualquer movimento concreto.

O portal O Norte Online procurou os dois lados nesta semana. Do lado potiguar, o empresário Ruy Gaspar foi direto: não há novidades. Do lado paraibano, Rui Galdino informou que um novo recurso foi aceito no próprio STJ e que o caso será redistribuído para outra turma, alimentando a expectativa de uma reviravolta.

Na prática, o efeito é imediato: tudo continua parado. Nenhum investidor coloca dinheiro em um projeto desse porte sem segurança jurídica. Nenhuma obra começa com o risco de ser interrompida por uma decisão futura. Nenhuma instituição financeira entra em um negócio cercado de incertezas.

E foi exatamente essa insegurança que desmontou o plano apresentado no ano passado. Empolgado com decisões favoráveis, o grupo do Rio Grande do Norte chegou a anunciar um investimento de cerca de 100 milhões de reais, com a promessa de reabrir o hotel no réveillon 2026-2027.

Hoje, esse prazo já não se sustenta. Faltando poucos meses para o fim do ano, não há obra, não há canteiro instalado, não há sequer sinal de início das intervenções. O réveillon no novo Hotel Tambaú, que parecia possível, virou uma miragem.

Enquanto isso, o prédio segue exposto à maresia, acelerando um processo de degradação que encarece qualquer futura recuperação e compromete um dos patrimônios mais emblemáticos da cidade.

O episódio envolvendo o vereador paulistano Nabil Bonduki, que há poucas semanas criticou tanto o abandono quanto a própria concepção do hotel, ajuda a dimensionar o constrangimento. Não é apenas um problema interno – é uma vitrine negativa para quem chega de fora.

Mas o ponto central continua sendo o mesmo: a disputa jurídica. O caso ainda pode ter desdobramentos no Supremo Tribunal Federal, o que impede qualquer definição definitiva. Enquanto isso não acontecer, não há obra, não há reabertura, não há retomada econômica em torno do equipamento.

Há apenas um impasse prolongado. E, mantido esse ritmo, o réveillon 2026-2027 não terá hóspedes brindando a reabertura do Hotel Tambaú.

Terá apenas o retrato incômodo de um ícone que segue abandonado – e apodrecendo diante de todos.

canal whatsapp banner

Compartilhe: