sexta-feira, 24 de julho de 2026
Vereador de SP critica Hotel Tambaú e reacende debate sobre futuro do cartão-postal de João Pessoa
05/04/2026 07:16
Redação ON Reprodução

Uma postagem feita na noite deste sábado pelo vereador paulistano Nabil Bonduki (PT) reacendeu um antigo e sensível debate em João Pessoa: o futuro do Hotel Tambaú. Em vídeo gravado na orla da capital paraibana, o parlamentar do PT demonstrou indignação não apenas com o estado de abandono do prédio, mas também com a própria concepção arquitetônica do empreendimento, construído na década de 1970 praticamente sobre a faixa de areia.

Nabil Bonduki é um dos nomes mais reconhecidos do urbanismo brasileiro. Vereador em São Paulo pelo PT, ele também é arquiteto e urbanista, além de professor da Universidade de São Paulo (USP).

“Talvez nada se compare a isso aqui que eu estou vendo em João Pessoa”, afirmou Bonduki, ao comparar a ocupação do espaço com situações semelhantes em São Paulo. Segundo ele, o hotel representa uma ocupação privada em área que deveria ser de circulação pública, interferindo diretamente no acesso à praia.

Clique AQUI e veja a postagem do vereador paulista

Apesar de reconhecer o valor arquitetônico do projeto — assinado pelo arquiteto Sérgio Bernardes, um dos nomes importantes da arquitetura moderna brasileira — o vereador classificou a construção como “totalmente indevida no lugar errado”. Ele também chamou atenção para o avançado estado de deterioração do imóvel, citando problemas estruturais no concreto, sinais de erosão no entorno e impactos ambientais visíveis, como a perda de vegetação e o avanço do mar sobre áreas antes utilizadas como estacionamento.

A crítica vai além da situação atual. Bonduki questiona se faz sentido investir na recuperação do hotel diante de um cenário de mudanças climáticas e elevação do nível do mar, fatores que podem agravar ainda mais a vulnerabilidade da estrutura nos próximos anos.

Disputa judicial

Fechado há anos, o Hotel Tambaú tornou-se símbolo não apenas do turismo paraibano, mas também de um longo e complexo imbróglio jurídico. Em decisão recente, a Quarta Turma do Superior Tribunal de Justiça validou, por unanimidade, o leilão realizado em 2021 que concedeu o direito de posse do empreendimento ao Grupo A. Gaspar, do Rio Grande do Norte, por R$ 40,6 milhões.

A disputa judicial, que se arrastava há mais de quatro anos, envolveu questionamentos sobre o valor da arrematação e a legalidade do processo, levantados por diferentes partes. Com o acórdão publicado, o grupo aguarda agora a etapa final para assumir definitivamente o controle do imóvel.

A expectativa dos novos proprietários é avançar na reabertura do hotel, resgatando um dos principais cartões-postais de João Pessoa. Paralelamente, o grupo também investe em um novo empreendimento turístico no Polo Cabo Branco, reforçando sua atuação no setor hoteleiro da capital.

Além do abandono

A fala de Bonduki, no entanto, recoloca o debate em outro patamar. Não se trata apenas de recuperar um equipamento turístico tradicional, mas de discutir se sua localização — praticamente dentro do mar — ainda faz sentido diante das exigências urbanísticas e ambientais atuais.

Entre o valor histórico e afetivo do Hotel Tambaú e as críticas sobre sua concepção e impacto ambiental, João Pessoa se vê novamente diante de uma escolha delicada: preservar um símbolo ou repensar seu futuro à luz de um novo tempo.

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