Depois de acumular a sexta derrota consecutiva na Série C do Campeonato Brasileiro e mergulhar novamente na luta contra o rebaixamento, o Botafogo da Paraíba resolveu abrir gratuitamente os portões do Almeidão para o próximo jogo, pedindo apenas 1kg de alimento como entrada para os torcedores.
A justificativa oficial é nobre: ajudar famílias afetadas pelas chuvas. E ajudar famílias sempre será algo meritório. O problema é o contexto. O Botafogo faz a campanha justamente no momento em que vive uma das maiores crises esportivas desde que se transformou em SAF e passou a vender a ideia de potência financeira do futebol nordestino.
A decisão soa menos como ação social espontânea e mais como tentativa desesperada de reconstruir uma relação destruída com a torcida ao longo de meses de soberba, erros de gestão e um futebol cada vez mais deprimente.
O mais curioso é que o portal O Norte Online já havia feito esse alerta ainda no começo do ano, quando o clube insistia em cobrar alguns dos ingressos mais caros do futebol brasileiro, acima até de partidas de clubes tradicionais da Série A.
Na época, o conselho era simples: transformar a arquibancada sol em setor popular, com entradas entre R$ 10 e R$ 20, lotar o estádio, aproximar o povo do time e criar ambiente favorável dentro do Almeidão.
O Botafogo fez exatamente o contrário. Preferiu vender uma imagem artificial de clube milionário, elitizar o acesso ao estádio e tratar o torcedor paraibano como consumidor de arena premium, mesmo entregando um futebol pobre, instável e sem identidade.
O resultado está aí
- Arquibancadas vazias.
- Torcida distante.
- Pressão crescente.
- Seis derrotas consecutivas.
E um time que novamente olha mais para a Série D do que para a Série B que prometia disputar.
O contraste é ainda mais cruel porque o Botafogo talvez tenha hoje o maior poder de investimento da história do futebol paraibano. A SAF elevou o patamar financeiro do clube a níveis nunca vistos no estado. O Belo passou a ter condições de competir em mercado acima da realidade local, trazendo nomes como o meia Nenê, de 44 anos, tratado como contratação de impacto e cercado por especulações de salário na casa dos R$ 200 mil — valor jamais confirmado ou negado oficialmente.
Mas futebol não se joga no balanço financeiro nem nas redes sociais. E o Botafogo parece repetir em 2026 exatamente os mesmos erros de 2025, quando também prometeu acesso, decepcionou em campo e escapou por pouco do rebaixamento para a Série D nas últimas rodadas.
A impressão que fica é que a SAF do Botafogo investiu pesado em marketing, discurso e aparência de grandeza, mas esqueceu do principal: montar um time competitivo, inteligente e conectado com sua própria torcida.
Agora, depois de meses cobrando caro para ver um futebol ruim, o clube faz aquilo que poderia ter feito desde o início: abrir os portões para o povo.
A diferença é que agora já não parece estratégia. Parece sobrevivência.
O alerta que fizemos no dia 1 de fevereiro
