O cenário da segurança pública na Paraíba alcançou um marco histórico. Dados inéditos do Atlas da Violência 2026, divulgados nesta terça-feira (26) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), revelam que o estado registrou a sua menor taxa de homicídios dos últimos dez anos. O avanço coloca a Paraíba em uma posição de destaque na segurança regional. Enquanto estados vizinhos do Norte e Nordeste concentram os maiores desafios de letalidade do país, os indicadores paraibanos mostram consistência em uma trajetória de declínio a longo prazo.
Oficialmente, o estado fechou o ano-base do relatório (2024) com 1.058 mortes violentas registradas, o que empurra a taxa para 25,7 assassinatos para cada 100 mil habitantes. Para mensurar o tamanho da queda, basta olhar o recuo nos últimos dez anos: entre 2014 e 2024, a taxa por 100 mil habitantes desabou 35,6% (saindo de 39,9 para os atuais 25,7).
Em números absolutos de óbitos, a retração foi de 31,8% no mesmo período. Ao contrário de outras unidades federativas do Nordeste, que sofrem fortes oscilações anuais por conta de guerras de facções, a Paraíba manteve uma curva descendente sólida e previsível.
Panorama geral
No panorama geral, o Brasil também respira um pouco melhor. O país contabilizou 42.590 homicídios, o equivalente a uma taxa de 20,1 mortes por 100 mil habitantes. Esse número representa uma queda de 7,4% em comparação com o ano anterior e consolida o menor patamar de toda a série histórica do monitoramento. Contudo, os pesquisadores do Ipea fazem um alerta grave: há um crescimento acentuado dos chamados “homicídios ocultos” (mortes violentas sem causa determinada nos registros oficiais), o que pode camuflar o tamanho real do problema em vários estados.
O relatório escancara a profunda desigualdade regional na segurança pública brasileira. A violência letal se concentra massivamente nas regiões Norte e Nordeste, enquanto o Sul e o Sudeste detêm os indicadores mais seguros.
No ranking nacional das menores taxas de homicídios, os estados de São Paulo, Santa Catarina e o Distrito Federal aparecem como os mais seguros. Na outra ponta, liderando o ranking das maiores taxas de violência do país, estão o Amapá, seguido por Bahia, Pernambuco, Alagoas e Ceará.
Mesmo comemorando a melhor marca em dez anos, o território paraibano não está imune às pressões geográficas da região mais impactada pelo crime organizado no país. Quando o Atlas trabalha com o indicador de homicídios estimados — que recalcula os dados somando as mortes ocultas por inteligência de dados —, a Paraíba ocupa a 11ª posição no ranking nacional absoluto e aparece em 4º lugar no Nordeste, com 1.072 mortes estimadas, ficando atrás da Bahia (6.616), Pernambuco (3.712) e Maranhão (2.124). O ponto crítico para o estado foca nas áreas urbanas populosas, onde as dinâmicas criminosas se concentram. No topo das estimativas municipais da Paraíba figuram a capital, João Pessoa (236 homicídios estimados), seguida por Santa Rita (70) e Patos (28), evidenciando onde as forças de segurança precisam concentrar os próximos esforços para manter o viés de queda nos próximos anos.