João Pessoa, domingo, 18 de outubro de 2026
Deepfakes representam 60% dos conteúdos suspeitos monitorados durante as eleições, aponta estudo
18/10/2026 15:05
Redação ON Reprodução

O avanço da inteligência artificial generativa ampliou os desafios de segurança da informação e integridade eleitoral nas Eleições 2026. Com ferramentas capazes de reproduzir vozes, imagens e vídeos realistas, conteúdos sintéticos e deepfakes passaram a exigir atenção redobrada de candidatos, instituições, plataformas digitais e eleitores. A LC SEC, consultoria especializada em cibersegurança e compliance, destaca que a detecção de conteúdos falsos é apenas uma parte do desafio, já que a velocidade de disseminação nas redes sociais e nos aplicativos de mensagens pode fazer com que o impacto de uma publicação persista mesmo após sua remoção.

Segundo monitoramento do Projeto VigIA, do Observatório Lupa, foram coletados 920 conteúdos suspeitos entre 16 de agosto a 28 de setembro de 2026, dos quais 60% (554 publicações) eram deepfakes e seis em cada dez conteúdos circulavam sem sinalização do uso da tecnologia. O monitoramento também identificou que 45% das publicações buscavam promover candidaturas, 27,6% eram de humor ou sátira e 24,6% tinham como objetivo atacar candidatos.

Já o Observatório IA nas Eleições, da Data Privacy Brasil e do Aláfia Lab, analisou 413 conteúdos políticos produzidos com inteligência artificial entre janeiro e 16 de agosto e constatou que quase dois em cada três não sinalizavam o uso da tecnologia. Do total, 60% foram classificados como sátira e 40% como desinformação. A ausência de identificação do uso de IA em propagandas eleitorais contraria as regras da Justiça Eleitoral, que exigem aviso explícito, destacado e acessível sobre conteúdos sintéticos. Além disso, o uso de deepfakes na propaganda eleitoral é proibido, e a divulgação de conteúdos sintéticos que descumpram as regras de identificação pode resultar em remoção.

A popularização da inteligência artificial ampliou a escala das manipulações digitais e tornou mais acessível a produção de conteúdos falsos. Se antes a criação de um vídeo convincente exigia conhecimento técnico e recursos específicos, hoje ferramentas disponíveis permitem reproduzir a aparência e a voz de uma pessoa em poucos minutos. Com isso, tornou-se mais fácil criar vídeos com declarações fictícias, áudios com falas que nunca ocorreram e materiais que simulam candidatos, jornalistas, autoridades públicas e instituições.

Para Luiz Claudio, CEO e fundador da LC SEC, a existência de ferramentas de detecção e mecanismos de remoção é importante, mas não elimina os riscos associados à velocidade de propagação dos conteúdos. “Detectar um deepfake depois que ele começou a circular não significa necessariamente neutralizar seu impacto. Um vídeo ou áudio falso pode ser compartilhado em diferentes plataformas e grupos em poucos minutos. Mesmo quando o conteúdo original é removido, cópias e republicações podem continuar circulando, o que torna essencial combinar monitoramento, processos de resposta e medidas preventivas de segurança”, afirma.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) avançou na definição de deepfakes para as Eleições 2026, abrangendo conteúdos gerados ou manipulados por IA capazes de criar ou alterar realisticamente a imagem ou a voz de pessoas. As plataformas também anunciaram medidas de combate ao problema. O Google apresentou ao TSE um plano com mecanismos de identificação e remoção de conteúdos enganosos, enquanto o TikTok destacou ações de educação midiática e combate ao uso irregular de IA. Além disso, o TSE firmou parceria com o Google para incentivar o uso do Likeness ID, ferramenta do YouTube que identifica conteúdos gerados por IA que reproduzam indevidamente a imagem de uma pessoa.

Entre os controles recomendados para enfrentar essas ameaças estão a autenticação multifator (MFA), a gestão de acessos, o monitoramento de contas privilegiadas e os planos de resposta a incidentes. As mesmas tecnologias usadas para criar deepfakes políticos podem viabilizar fraudes corporativas, simulando executivos, fornecedores e colaboradores. Por isso, empresas devem adotar mecanismos independentes de confirmação para solicitações sensíveis e conscientizar seus funcionários. A principal orientação é verificar a origem de vídeos, áudios e imagens antes de acreditar ou compartilhar, consultando canais oficiais e veículos jornalísticos confiáveis.

Diante disso, Luiz Claudio destaca que a prevenção depende de uma mudança na forma de verificar informações e reconhecer possíveis fraudes digitais. “A segurança diante dos deepfakes depende de uma mudança de abordagem: não é possível tratar a aparência ou a voz de uma pessoa como prova suficiente de autenticidade. É necessário verificar a origem da informação, estabelecer canais confiáveis de confirmação e manter controles que dificultem a utilização indevida de contas e identidades. Essa preparação é importante não apenas durante as eleições, mas também para prevenir fraudes e ataques de engenharia social no ambiente corporativo”, conclui.

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