João Pessoa, domingo, 18 de outubro de 2026
Flávio é investigado por suspeita de lavagem de dinheiro; caso chega ao STF e cai na mão de Moraes
18/10/2026 19:01
Redação ON Reprodução

O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) é alvo de um novo inquérito da Polícia Federal sobre suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo sua relação com o advogado Willer Tomaz. Segundo reportagem do Estadão divulgada neste domingo (18), o procedimento foi enviado ao Supremo Tribunal Federal e distribuído por sorteio ao ministro Alexandre de Moraes. Procuradas pelo jornal, as defesas não haviam se manifestado até a publicação.

A investigação teve origem em uma apuração que tramitava na primeira instância, no Rio Grande do Sul, sobre plataformas de pagamento digital e o setor de apostas. Nesse trabalho, a PF identificou indícios de que Willer exerceria controle de fato sobre a Rede Loto, primeira bet autorizada pelo governo fluminense a explorar apostas esportivas. A análise de arquivos armazenados na nuvem do celular do advogado revelou referências a Flávio, levando à remessa do caso ao STF em razão do foro do parlamentar.

Entre os elementos descritos pelos investigadores estão registros de encontros, pagamentos de viagens ao senador e documentos que o mencionam como “usuário master” de uma conta bancária da empresa Alcazar Holding. Esse vínculo, revelado pelo UOL e confirmado pelo Estadão, é um dos pontos que exigem esclarecimento. A PF também apontou movimentação de aproximadamente R$ 130 milhões em uma conta do advogado entre março e maio de 2025 e considerou necessário aprofundar a apuração sobre a origem e o destino dos recursos. O relato não permite atribuir esse montante a Flávio nem concluir que corresponda a dinheiro ilícito.

A gravidade está na suspeita de uma relação financeira que ultrapassaria a convivência pessoal entre o senador e o advogado. Caberá à investigação esclarecer a natureza dos pagamentos, o significado efetivo do vínculo bancário e eventual participação do parlamentar em operações irregulares. A existência do inquérito não representa comprovação de crime, e a reportagem não informa que tenha havido indiciamento ou apresentação de denúncia criminal nesse novo caso.

Embora a notícia venha a público a uma semana do segundo turno, o inquérito já havia chegado ao Supremo pelo menos uma semana antes, segundo o Estadão. Não há, nas informações divulgadas, explicação para a publicação neste domingo nem elementos que permitam atribuí-la a uma operação eleitoral. O momento amplia a repercussão política, mas é preciso distinguir a data da divulgação do andamento da investigação.

Com o novo procedimento, Flávio passa a ser investigado em dois inquéritos no STF, conforme a reportagem. O outro, sob relatoria do ministro André Mendonça, envolve o pedido de recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro para o filme Dark Horse. São apurações distintas que acrescentam pressão sobre o candidato na última semana da disputa presidencial.

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