Ao trabalhar por mais um mandato na presidência da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB) chega à disputa com uma marca que remete a um conterrâneo. Segundo levantamento do Metrópoles, Motta é o primeiro presidente da Casa em 23 anos a chegar a este ponto da gestão sem instalar uma única comissão parlamentar de inquérito (CPI). O último a encerrar o mandato nessas condições foi o também paraibano Efraim Morais, pai do atual senador Efraim Filho (PL-PB).
Efraim, então deputado pelo PFL, assumiu o comando da Câmara em maio de 2002, quando Aécio Neves renunciou à presidência da Casa para disputar o governo de Minas Gerais. Ficou no cargo até fevereiro de 2003. Sua passagem durou cerca de nove meses. Motta, por sua vez, aproxima-se do fim de um mandato de dois anos e articula sua recondução.
Segundo o Metrópoles, vários pedidos de CPI reuniram na gestão de Motta as 171 assinaturas exigidas. Entre eles estão o que trata das irregularidades nos descontos de aposentados e pensionistas do INSS e o que pede a investigação do caso do Banco Master. Motta sustenta que os requerimentos devem seguir a ordem cronológica de apresentação. O detalhe é que a fila continua exatamente onde começou. Até agora, o presidente da Câmara não deliberou sequer sobre o primeiro pedido.
No caso do Master, a disputa chegou ao Supremo Tribunal Federal. Em março, quando o requerimento já contava com 201 assinaturas, o deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) pediu que o STF determinasse a instalação da comissão. Rollemberg atribuiu a demora a uma “resistência pessoal” de Motta. O ministro Cristiano Zanin negou o pedido por entender que cabia à própria Câmara examinar a questão.
Entre Efraim e Motta, presidentes da Câmara de perfis políticos distintos abriram espaço para investigações. Sob Eduardo Cunha, houve CPIs sobre a Petrobras e o BNDES. Na gestão de Rodrigo Maia, a Câmara investigou o rompimento da barragem de Brumadinho. Com Arthur Lira, antecessor imediato de Motta, foram instaladas, entre outras, as comissões sobre o MST e o escândalo das Lojas Americanas.
Para o leitor paraibano, há uma curiosidade a mais nessa história. Foi preciso recuar até 2003 para encontrar precedente para a fila parada de Hugo Motta. E, quando o levantamento do Metrópoles chegou lá, quem estava na cadeira era Efraim Morais. Há uma diferença que ainda pode alterar o registro dos dois na história da Câmara. Efraim já havia encerrado sua passagem pela presidência. Motta ainda tem tempo de chamar o primeiro da fila.
