A Polícia Federal terá acesso aos dados da investigação da Polícia Civil de São Paulo sobre a produtora do “Dark Horse’, filme que trata sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A PF investiga possível uso de emendas parlamentares para custear o filme.
O acesso foi autorizado ontem pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, que é relator no STF de ações sobre irregularidades na destinação de recursos indicados por deputados e senadores.
A princípio, a investigação da Polícia Federal não tem relação com o dinheiro repassado por Daniel Vorcaro à produção do filme. O dono do extinto Banco Master destinou pelo menos R$ 61 milhões para custeio da obra. A decisão de Dino, no entanto, abre uma segunda frente de investigação sobre o “Dark Horse”.
A Polícia Civil de São Paulo investiga suspeita de fraudes e desvios de recursos públicos no contrato firmado entre a ONG Instituto Conhecer Brasil, da produtora do filme “Dark Horse”, Karina Ferreira da Gama, com a Prefeitura de São Paulo para fornecimento de pontos de wi-fi na cidade.
O objetivo da PF é usar as informações já conseguidas pela Civil na construção da sua própria investigação.
Os escopos das investigações, no entanto, são diferentes. Enquanto a Polícia Civil mira o contrato com a prefeitura, a PF está centrada no uso de emendas parlamentares.
O caso envolve cinco parlamentares, entre eles o deputado federal Mário Frias (PL-SP), que destinou R$ 2 milhões em emendas, em 2024, à ONG de Karina. Em maio, Mário Frias afirmou que as emendas indicadas para a ONG não teriam sido direcionadas para a produção do filme sobre Bolsonaro.

