Os juros elevados e o crédito mais restrito estão impondo um novo desafio às empresas brasileiras em 2026, crescer exige cada vez mais decisões baseadas em dados. Pesquisa divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostrou que 80% das empresas industriais que enfrentaram dificuldades para obter crédito apontaram as taxas de juros como o principal obstáculo.
Além disso, 23% das indústrias afirmaram ter desistido de investir neste ano devido ao alto custo do financiamento. Nesse contexto, a gestão baseada em números ganha protagonismo como ferramenta para preservar margens, aumentar eficiência e sustentar o crescimento.
Para Fabinho Nascimento, especialista em gestão financeira, planejamento tributário e desenvolvimento empresarial, contador e CEO do Grupo FN, o problema é que muitos negócios ainda operam sem indicadores confiáveis para orientar decisões estratégicas. “O empresário costuma acompanhar o faturamento, mas muitas vezes não sabe exatamente quanto está lucrando, quais produtos são mais rentáveis ou onde estão os gargalos da operação. Crescer sem esses números é como dirigir sem painel”, afirma.
Vender mais não significa crescer
Segundo o CEO, é comum encontrar operações que ampliam o faturamento enquanto perdem rentabilidade devido à falta de acompanhamento de custos, despesas e produtividade. “Quando não existe controle sobre os indicadores, o crescimento pode mascarar problemas. A empresa vende mais, contrata mais pessoas, aumenta estoque e assume novos compromissos sem perceber que a margem está diminuindo”, explica.
O especialista observa que esse comportamento se tornou mais arriscado em um momento de juros elevados e menor tolerância a erros financeiros. Com crédito mais caro, qualquer decisão equivocada pode comprometer o fluxo de caixa, capacidade de investimento e expansão futura.
As métricas que passaram a orientar o crescimento das empresas
Segundo Fabinho, alguns indicadores se tornaram indispensáveis para empresários que desejam crescer com mais previsibilidade e reduzir riscos financeiros.
A margem de lucro mostra quanto a empresa efetivamente ganha em cada venda realizada.
A geração de caixa indica a capacidade do negócio de sustentar as operações e financiar novos investimentos.
O endividamento permite avaliar o equilíbrio entre obrigações financeiras e capacidade de pagamento.
O ticket médio ajuda a entender o comportamento de compra dos clientes e identificar oportunidades de aumento de receita.
O giro de estoque revela a eficiência da operação e evita recursos parados em produtos com baixa saída.
Os custos operacionais apontam onde estão os maiores gastos e quais despesas podem ser otimizadas.
A produtividade da equipe mede a eficiência dos colaboradores e dos processos internos.
A rentabilidade por produto ou serviço identificar quais atividades realmente contribuem para o lucro da empresa.
Para o profissional, a ausência dessas informações costuma levar empresários a decisões equivocadas sobre contratações, investimentos, formação de preços e expansão. “Quando o empresário acompanha esses números de forma consistente, ele consegue identificar desperdícios, corrigir falhas e tomar decisões com mais segurança. O problema é que muitas empresas ainda olham apenas para o faturamento e deixam de monitorar indicadores que realmente mostram a saúde do negócio”, afirma.
Reforma tributária aumenta necessidade de controle
Além da pressão econômica, a implementação gradual da reforma tributária também vem exigindo mais organização das empresas. A adaptação às novas regras demanda planejamento financeiro, revisão de processos e maior capacidade de análise das informações internas.
Segundo o contador, empresas que já possuem indicadores estruturados tendem a enfrentar essa transição com mais previsibilidade. “A reforma tributária não afeta apenas impostos. Ela influencia na precificação, fluxo de caixa, formação de margem e planejamento de crescimento. Quem conhece seus números consegue se adaptar com mais rapidez e segurança”, afirma.
Ele destaca que a profissionalização da gestão deixou de ser uma escolha e passou a representar uma necessidade para empresários que desejam manter a competitividade. “A empresa que não consegue medir seu desempenho acaba reagindo aos problemas quando eles já aconteceram. Quem acompanha dados consegue agir antes, corrigir rotas e tomar decisões mais estratégicas.”
A profissionalização da gestão avança entre pequenas empresas
O foco deixa de estar apenas nas vendas e passa a incluir gestão financeira, inteligência tributária, planejamento empresarial e controle operacional. “Durante muito tempo, muitas empresas cresceram com base na experiência do dono. Hoje isso continua importante, mas já não é suficiente. Os negócios que mais avançam são aqueles que transformam dados em decisões e utilizam a informação como ferramenta de gestão”, destaca.
Para Fabinho Nascimento, a gestão baseada em números deixou de ser uma prática exclusiva das grandes corporações e passou a ser uma necessidade para empresas de qualquer porte. “Quem conhece seus indicadores consegue agir antes dos problemas aparecerem. É essa previsibilidade que permite crescer de forma estruturada, proteger a lucratividade e construir um negócio mais preparado para os desafios dos próximos anos”, conclui.
