
A briga de Robinho com Neymar já era. Já está vencida. Foi um tapa, virou notificação, assessores de precipitaram, família ficou chateada, depois o sangue esfriou, Robinho aceitou as desculpas, e pronto. Viramos a página. Usei esse caso só como pretexto, como atualização de uma novela que já enjoou.
Porque o que eu quero falar mesmo é de outra briga. Uma briga monumental, uma briga de verdade. E ela aconteceu no Real Madrid.
Valverde, volante uruguaio, e Tchouaméni, meia francês, se estranharam num treino. No dia seguinte, a confusão continuou. Tchouaméni deu um soco no rosto de Valverde. Resultado: traumatismo craniano, hospital, pontos. Reunião de emergência no clube. Processo disciplinar. E risco de ficar de fora do clássico.
Mania de grandeza
E aqui está o ponto: o Real Madrid quer ser maior do que todo mundo em tudo. No faturamento, nas contratações, na pose. Também nas brigas. Só que eles não querem que você veja. Eles querem que a briga seja monumental, mas que fique dentro de casa. O que vaza é o mínimo. O que abafam é o máximo.
Resultado: no Brasil, um tapa vira caso de quase polícia. Na Espanha, um soco que dá traumatismo craniano vira “problema de elenco”.
Aí você me pergunta: o que uma coisa tem a ver com a outra? Tudo. Porque enquanto a gente perdeu dias discutindo se o Neymar pediu desculpa direito, se o Robinho aceitou, se o advogado recuou – o Real Madrid resolveu uma briga de verdade do jeito dele: com reunião fechada, punição interna, e a esperança de que ninguém fale mais sobre isso.
Ficou a impressão de que a briga de Neymar e Robinho foi brincadeira de criança.
A briga do Real Madrid foi a briga dos adultos. E, como tudo no clube merengue, eles quiseram ser maiores. Até nisso.