Aconteceu em Hollywood, mas o enredo é familiar em qualquer canto do mundo. A atriz Leven Rambin, conhecida por seus papéis em Jogos Vorazes e na série Fire Country, usou as redes sociais nesta semana para fazer um desabafo — o famoso “exposed” — sobre o fim de seu relacionamento. A acusação? Traições em série justificadas pelo parceiro como “vício em sexo”.
O vídeo de Rambin toca em uma ferida aberta nos relacionamentos modernos: até onde vai a compreensão com a dificuldade do outro e onde começa a nossa própria autopreservação?
Ao expor a situação, a atriz trouxe à tona o termo “vício em sexo”, ou transtorno hipersexual, como é conhecido clinicamente. É um tema que merece ser tratado sem vergonha, mas com muita atenção. A compulsão sexual é real e reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Ela se caracteriza não por uma libido alta ou por gostar muito de sexo — o que é saudável e maravilhoso —, mas pela perda total de controle, onde o sexo se torna uma ferramenta de escape que traz prejuízos à vida pessoal, profissional e afetiva.
No entanto, o caso de Leven nos convida a uma reflexão importante: o diagnóstico (ou a autodeclaração) de um vício não pode servir como um “habeas corpus” para a falta de responsabilidade afetiva.
Muitas vezes, em consultórios e terapias de casal, vê-se o termo sendo banalizado como uma cortina de fumaça para encobrir a deslealdade. Existe uma diferença gigante entre alguém que luta contra uma compulsão e busca tratamento, e alguém que utiliza essa narrativa apenas quando é descoberto, para minimizar a dor causada ao parceiro.
O sexo deve ser um espaço de troca, prazer e conexão. Quando ele vira motivo de mentira, risco à saúde do casal e sofrimento unilateral, a “leveza” sai de cena e entra a necessidade de limites.
O desabafo de Leven Rambin serve de alerta. Se o sexo está controlando a vida de alguém a ponto de destruir a confiança de quem está ao lado, o caminho é buscar ajuda profissional — terapeuta, psicólogo, psiquiatra. Para quem fica, o recado da atriz foi claro: entender o problema do outro é nobre, mas isso não significa aceitar ser ferido no processo.
Afinal, a melhor parte da vida a dois (ou a três, ou a sós) é o prazer com consentimento e respeito. Sem isso, não há romance de cinema que se sustente.