João Pessoa, quinta-feira, 3 de setembro de 2026
“E se a moda pega? Barbearia nudista é o próximo passo lógico”
02/09/2026

A Daniella, dona de uma barbearia, contratou uma nova funcionária após 400 candidatas. Foto linda: a moça segura a carteira de trabalho, mas o rosto? Preservado. A pedido dela, claro. Motivo? Ameaças de esposas de clientes. Solução? Apagar a mulher do mapa.

Até aí, tudo “normal” — se você vive num mundo onde a vítima que se esconde e o agressor fica solto.

Mas vamos pensar: e se a moda pega?

Se o negócio é esconder a funcionária pra evitar confusão, por que parar no rosto? A próxima etapa lógica é a barbearia nudista. Não, não é o cliente que fica pelado — é a barbeira. Ela trabalha invisível. Ninguém vê, ninguém toca, ninguém ameaça. Ela é uma entidade etérea que aparece só no Pix no fim do mês.

Agora, a pergunta que não quer calar: nesse cenário, quem passa mais aperto: o cliente ou a barbeira?

O cliente, coitado, vai sentar na cadeira e ouvir: “Pode fechar os olhos que a barba sai”. Ele vai sentir a navalha deslizar, vai ouvir o barulho da máquina, mas vai olhar no espelho e ver… nada. Só a tesoura voando. Um creme de barbear flutuante. Uma lâmina que se move sozinha. É o Exorcista versão barbearia. O cara sai barbeado, mas com 10 anos de terapia.

A barbeira, por sua vez, vai ter que navegar entre o bigode e o queixo de um cara que ela nem vê direito, porque o “problema” é ela ser vista. Ela vai ter que sentir o rosto do cliente pelo tato, igual cego em mercado. Vai errar o ângulo da navalha e, de repente, o cliente sai com uma orelha a menos. “Foi o vento”, ela vai dizer, de trás da cortina.

E as esposas? Ah, as esposas vão ficar tranquilas. Não tem rosto, não tem perigo. Só uma navalha voadora fazendo a barba do marido. Elas vão até recomendar a barbearia: “Amiga, lá é seguro! A mulher é invisível, meu marido nem vê ela!”

No fundo, a situação mais difícil fica com a barbeira, que além de trabalhar de olhos fechados, ainda tem que ouvir: “Ah, você é a tal da fantasma? Meu marido falou que você faz uma barba ótima, mas ele nem lembra sua cara.” É a humilhação em dose tripla.

E a Daniella? Ela vai ter que anunciar a próxima vaga assim: “Procuramos barbeira com experiência em sumiço, disponibilidade para não existir e, de preferência, que saiba fazer navalha no escuro. Salário: invisível. Benefício: ninguém te ameaça se ninguém te vê.”

O recado: enquanto a solução pra ameaça for esconder a mulher, a moda vai pegar — e a próxima tendência não é barbearia temática, é consultório de terapia pra cliente que saiu de lá acreditando em fantasma.

Barbearia nudista? Talvez seja o único jeito da barbeira trabalhar em paz. Mas, sinceramente, entre ser vista e ser ameaçada ou ser invisível e virar lenda urbana, acho que ela prefere o salário e o rosto. E um segurança. E um botão do pânico. E que as esposas cuidem da própria vida.

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Sem Vergonha
Sem Vergonha

Essa não é uma coluna pornográfica – longe disso. O casal João e Maria vai falar falar sobre sexo com respeito, leveza e sem rodeios, abordando os temas que fazem parte da vida de todas as pessoas, casais, homens e mulheres. Escreva pra nós: redacao@onorteonline.com