Fui mostrar a praia a Zé Neiva e ele é que terminou me mostrando as casas e as pessoas. Principalmente as pessoas. Aqui mora Arlindo Almeida, aqui mora Pedro Alcântara, ali mora Arlindo, também Alcântara, e assim por diante, todas as casas e respectivos donos desde as águas do Iate até Areia Dourada.
E onde estão morando os pessoenses?
Isso me fez lembrar uma crônica de há três ou quatro anos, quando os Targino resolveram ocupar no centro de João Pessoa, o mais autêntico símbolo pessoense, o Paraíba Hotel abandonado.
“Enganam-se os que ainda pensam que Campina Grande fica para lá do Cajá.”
Conversando com Ivan Tomás, descobrimos que o Cajá é o ponto onde termina a antiga Campina e começa, agora, a nova cidade serrana em pleno litoral.
Ninguém precisa ir mais a Campina para conversar com a sua elite social. Basta ir ao Bessa, a toda essa faixa de mar que começa no hotel de Manuel Gaudêncio e encosta nas bordas da antiga Fortaleza de Santa Catarina. Em toda essa faixa, fazendo exceções ao Poço e Camboinha, pessoense é presença estrangeira.
Acabou-se a emulação: João Pessoa ganhou em número de casas, em habitantes, e Campina Grande ganhou em domínio. O que cresceu não foi o produto pessoense, mas o avanço e o domínio campinense em João Pessoa.
Convivendo perto de quarenta anos com os pessoenses, quando não os conheço de nome ou de cara, conheço-os de jeito; esse jeito especial de entregar a vida, a família e o futuro ao serviço público. Saltando Camboinha, que é o veraneio dos deuses, toda a costa norte é campinense. Ninguém fala de governo, mas só de negócios.
E não se limitaram apenas a ocupar o litoral norte, como os franceses. Devagarinho, sem que ninguém percebesse, tomaram conta de todos os negócios dinâmicos da indústria, do comércio e dos serviços. Lideram hoje a nossa revenda de automóveis, monopolizam a moagem e distribuição do café, são majoritários nas empresas de comunicação, tornaram-se donos absolutos da nossa rede de hotéis. Até o Paraíba Hotel, lembrança falida do antigo poder pessoense, passou a mãos campinenses.
Inconformados com os seus antigos limites, os campinenses resolveram assumir os negócios e as terras da moleza filipéia. Aos filhos da Senhora das Neves vão ficar as padarias (não incluindo Zé William, de Alagoa Grande e Geraldo Duré, de Itabaiana), as farmácias e a fila de pagamento dos servidores públicos.
O investimento imobiliário, quando não é de Recife, é quase todo campinense.
“Conosco vão restar as funerárias” — vaticinou Osildo Mesquita, conhecedor profundo das tendências do nosso povo e do nosso comércio.