“Os ministros do Supremo são uma desgraça nacional.” (Demétrio Magnoli)
Se o STF fosse ativista, saberia quais são os anseios do povo. Os privilégios tiraram seus juízes da realidade. Não por menos, estão baratinados, assinando qualquer papel que lhes passe pela frente, como se o mundo fosse criado por uma assinatura deles.
Os caras enlouqueceram!
Não há mais ordem — sequer fé — guiando tais assinaturas.
Perderam os fundamentos. Lembram daquela lista de citações de leis, artigos, parágrafos, incisos e alíneas? Não há mais. A razão de decidirem é a vontade, quando não a ira ou a inveja. São pecadores, como os doutores da lei. Determinam sem obedecer.
Outro dia, eu estava numa fila da loteria — fui tentar dividir o acúmulo anunciado — e ouvi algumas lições de uma senhora.
À altura dos seus quase 90 anos, ela chegou, em seu silêncio de eco profundo, debulhando um terço, que escorregava entre os dedos.
Para um jovem que não entendeu sua ida direta ao caixa, ela pregou:
— Se você mantiver a calma, pode chegar nesse meu direito. Se não, vai ficar na fila.
Houve uma sonora gargalhada — de olhares.
Depois, ela disse:
— Vim jogar pra pagar a faculdade dos meus netos. Não conseguimos o financiamento do governo. Há um caminho que não sei seguir — para isso.
E continuou:
— Pra completar, uma filha minha está precisando de vaga no hospital, e uma fila na tal regulação não está andando, porque precisa de desvio — que não conheço.
Finalizou, como se rezasse uma parte da “Salve, Rainha”:
— “…vida, doçura e esperança nossa. Salve!”
E prosseguiu:
— A aposentadoria das minhas irmãs mais novas — uma com 78 e outra com 80 anos — depende mais de advogados do que do direito delas, que trabalham desde a roça, na infância. Há outra fila enorme. Nós sofremos de não viver na propaganda, nas teorias e nas narrativas.
E concluiu:
— O inventário do meu pai se arrasta há mais de 25 anos sem solução. O processo tem mais carimbo que ordem.
Eu fiz a minha fezinha nos números, no valor mínimo, e pensei, lembrando do Cabaré de Araújo, atrás do Teatro Santa Rosa, na capital da Paraíba, quando eu era estudante e me divertia nas repúblicas e praças daquela redondeza:
— Se fosse um cabaré, o pagamento adiantado — como são os impostos — garantiria os serviços. E havia ordem na fila.
Um sujeito que faz política com uma fila de regulação hospitalar tem um lugar certo no inferno de Dante.
O regular serviço público dispensaria a política e os políticos, mas há mais servidores comissionados atendendo a políticos do que prestando serviço público.
Taphooddaa!

