
O empate sem gols contra o Maringá e a lanterna mantida no quadrangular final do Grupo C foram a gota d’água para mais um capítulo da instabilidade no Botafogo-PB: a demissão do técnico Marcelo Fernandes, acompanhada do desligamento do auxiliar Marcelo Copertino e do diretor executivo Fernando Leite.
Desde que o modelo de SAF assumiu o futebol do clube, a comissão técnica virou uma verdadeira rotatória. Em um curto espaço de tempo, a gestão de Fillipe Félix já acumulou as passagens de Evaristo Piza, Antônio Carlos Zago, Bernardo Franco, Lisca e, agora, Marcelo Fernandes.
Diante de tantos descartes, a pergunta que fica é: a culpa será sempre do mordomo? É evidente que a conta do insucesso não pode cair única e exclusivamente no ombro de quem está na beira do gramado. Na rodada anterior, após a vexatória terceira derrota seguida — o revés para o Floresta em pleno Almeidão —, o próprio investidor declarou que estaria disposto a ceder o lugar para alguém “mais competente”.
No entanto, a fala soa como pura demagogia para jogar para a plateia. Afinal, todos sabem que para ocupar a cadeira do investidor majoritário só entra quem devolver até o último centavo investido e demonstrar estofo para bancar a estrutura pesada e caríssima que foi montada. O dinheiro existe e o cofre está cheio, mas o recurso mal administrado e a falta de convicção no planejamento cobram o seu preço.
O investidor tem o direito de aplicar o capital como bem entender, mas precisa respeitar o tamanho do Botafogo Futebol Clube, uma instituição centenária que não pode virar refém do amadorismo de quem comanda fora de campo.