João Pessoa, quinta-feira, 24 de setembro de 2026
“Estelionato esportivo”: presidente do Cuiabá acusa Corinthians, Santos e Vasco de usar dívidas para ganhar vantagem na Série A
24/09/2026

O presidente do Cuiabá, Cristiano Dresch, fez uma denúncia contundente em entrevista à ESPN: clubes que acumulam dívidas continuam contratando jogadores e podem tirar vantagem disso na disputa do Campeonato Brasileiro. Ele cobrou pagamentos do Corinthians e do Santos e usou a expressão “estelionato esportivo” ao criticar a situação do Santos e do Vasco na Série A. 

Dresch falou como dirigente de um clube credor. O Santos foi condenado pela Câmara Nacional de Resolução de Disputas da CBF a pagar R$ 18,6 milhões ao Cuiabá pela negociação do zagueiro Joaquim, embora ainda possa recorrer. O Cuiabá também cobra do Corinthians uma parcela vencida do acordo referente à venda do volante Raniele. Enquanto espera receber, vê o Santos reforçar o elenco com nomes como Arthur e Everton Cebolinha. 

A pergunta de Dresch é simples e difícil de responder: como um clube deve milhões pela compra de um jogador e encontra recursos para contratar outros? Para ele, o transfer ban não basta; se Corinthians e Santos corressem o risco de perder pontos, o dinheiro para quitar as pendências apareceria. Ao citar o Vasco, que entrou em recuperação judicial, afirmou que clubes endividados podem permanecer na Série A à custa do que chamou de “estelionato esportivo”. 

A crítica merece ser levada a sério. Uma contratação pode decidir um jogo e, no fim do campeonato, a permanência de um time na elite. Remo e Mirassol disputam a mesma tabela com clubes capazes de gastar agora e deixar credores esperando. Se cumprir contratos exige sacrifício, descumpri-los não pode virar uma forma de montar um elenco mais forte.

A CBF já prevê a dedução de pontos entre as possíveis sanções de seu sistema de sustentabilidade financeira. É preciso aplicar regras claras, com direito de defesa e em tempo de proteger a competição. Porque uma cobrança que só produz resultado anos depois não devolve ao credor o dinheiro de que ele precisava, nem ao adversário os pontos que perdeu em campo. 

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