Dentista do CEJAM reforça que a halitose pode ser sinal de problemas na boca, no estômago ou outras complicações de saúde
São Paulo, abril de 2026 – A repercussão recente envolvendo um participante do Big Brother Brasil trouxe à tona um tema comum, mas ainda cercado de constrangimento: o mau hálito. Comentários feitos dentro do programa e a forte reação nas redes sociais colocaram a halitose em evidência e abriram espaço para uma discussão que vai além do desconforto social: afinal, o que essa condição revela sobre a saúde?
A halitose é caracterizada por odores desagradáveis expelidos pela boca e atinge uma parcela significativa da população. Estimativas de entidades odontológicas indicam que cerca de 30% a 40% das pessoas já enfrentaram essa situação em algum momento da vida. Embora frequentemente associada à falta de higiene, o problema pode ter múltiplas origens, incluindo fatores bucais, hábitos de vida e até alterações sistêmicas.
Entre as causas mais comuns estão o acúmulo de saburra lingual — aquela camada esbranquiçada sobre a língua —, doenças gengivais, jejum prolongado e determinados alimentos. O tabagismo é outro ponto de atenção: além de deixar um odor característico, o cigarro favorece o ressecamento da boca, altera a flora oral e aumenta o risco de gengivite e periodontite, inflamações que podem intensificar o quadro.
Alterações no sistema digestivo, como refluxo gastroesofágico, gastrite e outras doenças do estômago, influenciam o agravamento em alguns casos. Diabetes, infecções e outras condições clínica podem estar igualmente relacionadas, o que reforça a necessidade de avaliação profissional.
“O mau hálito não deve ser visto apenas como uma questão de higiene. Em muitos casos, ele é um sinal de desequilíbrio na saúde bucal ou até de outras condições do organismo”, explica Marcelo Fonseca, dentista do Centro de Especialidades Odontológicas Capão Redondo, unidade gerenciada pelo CEJAM – Centro de Estudos e Pesquisas Dr. João Amorim, em parceria com a Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo (SMS-SP).
O dentista destaca ainda que o constrangimento em torno do tema dificulta o diagnóstico. “Muitas pessoas não percebem o próprio hálito ou evitam buscar ajuda por vergonha. Mas a halitose tem tratamento e, na maioria das vezes, pode ser controlada com medidas simples e acompanhamento adequado. Além das consultas periódicas ao dentista, é importante buscar também uma avaliação médica e, quando necessário, realizar exames complementares para fechar o diagnóstico e investigar o problema de forma mais ampla”, orienta.
Entre as principais recomendações estão escovar os dentes após as refeições, usar fio dental diariamente e higienizar a língua com raspadores específicos ou com a própria escova. Manter boa hidratação, evitar longos períodos em jejum e reduzir o consumo de alimentos com odor forte também ajudam na prevenção. Para fumantes, abandonar o cigarro é uma medida importante não apenas para o hálito, mas para a saúde em geral.
“É importante ressaltar a atuação multidisciplinar entre dentistas e demais especialidades médicas, garantindo um cuidado mais completo no diagnóstico e no tratamento do paciente com halitose”, finaliza.