O tema da campanha deste ano é “Saúde do Cérebro: Acesso para Todos”, e a cannabis medicinal está no meio dessa conversa. Entenda por quê

Dia 22 de julho é celebrado o Dia Mundial do Cérebro. Este ano, a campanha global lançada pela Federação Mundial de Neurologia (WFN – World Federation of Neurology), a mesma entidade que criou o Dia Mundial do Cérebro em 2014, tem como tema: “Saúde do Cérebro: Acesso para Todos”, com um recado direto: diagnóstico e tratamento neurológico ainda chegam tarde demais, ou não chegam, para uma grande parte da população.
Segundo a Federação Mundial de Neurologia (WFN), mais de 3,4 bilhões de pessoas convivem hoje com alguma condição neurológica, o que torna os transtornos do cérebro a principal causa de incapacidade no mundo. A entidade aponta cinco frentes de ação para 2026: equidade no cuidado, diagnóstico precoce, prevenção no dia a dia, atenção neurológica de base comunitária e conversão da conscientização em política pública.
É nesse ponto de acesso que a cannabis medicinal entra na conversa. No Brasil, mais de 873 mil pessoas fazem tratamento com produtos à base de cannabis, segundo o Anuário 2025 da Kaya Mind, boa parte delas em condições neurológicas como epilepsia refratária, dor crônica e sintomas associados a doenças neurodegenerativas. Mas o caminho até o tratamento ainda esbarra em custo, dose necessária e disponibilidade dos produtos, os mesmos obstáculos que a campanha da WFN coloca no centro do debate.
A boa notícia é que parte dessa barreira já começa a ser enfrentada pela inovação farmacêutica. A tecnologia Power NanoTM, da biotech canadense Thronus Medical, empresa com foco em desenvolvimento de nanofármacos à base de cannabis – desenvolvida pela médica Mariana Maciel, brasileira de Minas Gerais radicada em Vancouver é o primeiro nanofármaco à base de cannabis apto para ser importado para o Brasil. O medicamento é comprovadamente mais potente que os óleos de cannabis comuns, pois utiliza a nanomedicina para diminuir as moléculas da planta e as encapsula em uma solução hidrossolúvel aumentando em até 10 vezes a biodisponibilidade dos princípios ativos em comparação aos óleos convencionais.
“Saúde do cérebro para todos não é só uma frase bonita, é uma meta que esbarra em coisa concreta: fila de espera, custo do tratamento, distância até um especialista. A cannabis medicinal pode fazer parte da solução, mas só se o paciente conseguir de fato chegar até ela”, afirma Mariana Maciel.
Dra. Mariana reforça que tecnologia sozinha não resolve o problema de acesso. “Reduzir a dose necessária ajuda, mas não substitui prescrição, acompanhamento e informação de qualidade. Sem isso, a gente troca uma barreira por outra”, diz.
3 perguntas sobre cannabis medicinal e saúde do cérebro
- Cannabis medicinal trata doenças neurológicas? Sim. Há evidências para epilepsia refratária, enxaqueca, autismo, doenças neurodegenerativas como Alzheimer, Parkinson, esclerose múltipla, entre outras. Lembrando sempre que depende da condição e indicação médica. Não há reversão do quadro, o foco é alívio de sintomas e qualidade de vida das pessoas.
- Por que a nanotecnologia é citada como aliada do acesso? Nosso organismo, que é constituído principalmente de água, tem dificuldade em absorver óleos. Além disso, os óleos de CBD tradicionais são compostos por moléculas grandes que, somado à alta metabolização hepática dos princípios ativos, se tornam mais um dificultador para uma boa absorvência. Pesquisas indicam que apenas 6% do óleo canabidiol convencional encontrado no mercado hoje alcança a circulação sistêmica após ingerido, enquanto nos produtos com tecnologia Power NanoTM da Thronus Medical a concentração efetiva desses fitocanabinóides é até 10 vezes maior – ou seja, não apenas o tempo de início de ação cai para 10 minutos como também a biodisponibilidade pode chegar a 80%, a depender do ativo.
- Onde procurar ajuda para começar um tratamento? O primeiro passo é sempre uma avaliação com médico habilitado. Muitas cidades já contam com centros médicos focados em cannabis medicinal. Uma pesquisa rápida pode revelar diversas opções. Comunidades online: Redes sociais e fóruns dedicados ao tema podem ajudar na busca por profissionais capacitados e referências na área. Consulte sempre o site do Conselho Federal de Medicina (CFM) ou dos Conselhos Regionais de Medicina (CRMs) para garantir que o profissional está apto a exercer a profissão.
É essencial compartilhar seu histórico de saúde, os tratamentos em andamento e os medicamentos que você já utiliza. O médico definirá o tipo ideal de administração: óleo, hidrossolúvel, intranasal ou comestível, e quais fitocanabinoides são mais indicados para você: THC, CBD ou combinações específicas.