terça-feira, 21 de julho de 2026
Dia Mundial do Cérebro: por que o acesso ao tratamento neurológico ainda é um privilégio no Brasil?
21/07/2026

O tema da campanha deste ano é “Saúde do Cérebro: Acesso para Todos”, e a cannabis medicinal está no meio dessa conversa. Entenda por quê

Dia 22 de julho é celebrado o Dia Mundial do Cérebro. Este ano, a campanha global lançada pela Federação Mundial de Neurologia (WFN – World Federation of Neurology), a mesma entidade que criou o Dia Mundial do Cérebro em 2014, tem como tema: “Saúde do Cérebro: Acesso para Todos”, com um recado direto: diagnóstico e tratamento neurológico ainda chegam tarde demais, ou não chegam, para uma grande parte da população.

Segundo a Federação Mundial de Neurologia (WFN), mais de 3,4 bilhões de pessoas convivem hoje com alguma condição neurológica, o que torna os transtornos do cérebro a principal causa de incapacidade no mundo. A entidade aponta cinco frentes de ação para 2026: equidade no cuidado, diagnóstico precoce, prevenção no dia a dia, atenção neurológica de base comunitária e conversão da conscientização em política pública.

 É nesse ponto de acesso que a cannabis medicinal entra na conversa. No Brasil, mais de 873 mil pessoas fazem tratamento com produtos à base de cannabis, segundo o Anuário 2025 da Kaya Mind, boa parte delas em condições neurológicas como epilepsia refratária, dor crônica e sintomas associados a doenças neurodegenerativas. Mas o caminho até o tratamento ainda esbarra em custo, dose necessária e disponibilidade dos produtos, os mesmos obstáculos que a campanha da WFN coloca no centro do debate.

A boa notícia é que parte dessa barreira já começa a ser enfrentada pela inovação farmacêutica. A tecnologia Power NanoTM, da biotech canadense Thronus Medical, empresa com foco em desenvolvimento de nanofármacos à base de cannabis – desenvolvida pela médica Mariana Maciel, brasileira de Minas Gerais radicada em Vancouver é o primeiro nanofármaco à base de cannabis apto para ser importado para o Brasil. O medicamento é comprovadamente mais potente que os óleos de cannabis comuns, pois utiliza a nanomedicina para diminuir as moléculas da planta e as encapsula em uma solução hidrossolúvel aumentando em até 10 vezes a biodisponibilidade dos princípios ativos em comparação aos óleos convencionais.

“Saúde do cérebro para todos não é só uma frase bonita, é uma meta que esbarra em coisa concreta: fila de espera, custo do tratamento, distância até um especialista. A cannabis medicinal pode fazer parte da solução, mas só se o paciente conseguir de fato chegar até ela”, afirma Mariana Maciel.

Dra. Mariana reforça que tecnologia sozinha não resolve o problema de acesso. “Reduzir a dose necessária ajuda, mas não substitui prescrição, acompanhamento e informação de qualidade. Sem isso, a gente troca uma barreira por outra”, diz.

3 perguntas sobre cannabis medicinal e saúde do cérebro

  1. Cannabis medicinal trata doenças neurológicas? Sim. Há evidências para epilepsia refratária, enxaqueca, autismo, doenças neurodegenerativas como Alzheimer, Parkinson, esclerose múltipla, entre outras. Lembrando sempre que depende da condição e indicação médica. Não há reversão do quadro, o foco é alívio de sintomas e qualidade de vida das pessoas.
  2. Por que a nanotecnologia é citada como aliada do acesso? Nosso organismo, que é constituído principalmente de água, tem dificuldade em absorver óleos. Além disso, os óleos de CBD tradicionais são compostos por moléculas grandes que, somado à alta metabolização hepática dos princípios ativos, se tornam mais um dificultador para uma boa absorvência. Pesquisas indicam que apenas 6% do óleo canabidiol convencional encontrado no mercado hoje alcança a circulação sistêmica após ingerido, enquanto nos produtos com tecnologia Power NanoTM da Thronus Medical a concentração efetiva desses fitocanabinóides é até 10 vezes maior – ou seja, não apenas o tempo de início de ação cai para 10 minutos como também a biodisponibilidade pode chegar a 80%, a depender do ativo.
  3. Onde procurar ajuda para começar um tratamento? O primeiro passo é sempre uma avaliação com médico habilitado. Muitas cidades já contam com centros médicos focados em cannabis medicinal. Uma pesquisa rápida pode revelar diversas opções. Comunidades online: Redes sociais e fóruns dedicados ao tema podem ajudar na busca por profissionais capacitados e referências na área. Consulte sempre o site do Conselho Federal de Medicina (CFM) ou dos Conselhos Regionais de Medicina (CRMs) para garantir que o profissional está apto a exercer a profissão.

É essencial compartilhar seu histórico de saúde, os tratamentos em andamento e os medicamentos que você já utiliza. O médico definirá o tipo ideal de administração: óleo, hidrossolúvel, intranasal ou comestível, e quais fitocanabinoides são mais indicados para você: THC, CBD ou combinações específicas.

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