João Pessoa, segunda-feira, 28 de setembro de 2026
Honorários em prikito
28/09/2026

Tem advogado em Brasília descobrindo, da pior maneira, que nem todo honorário entra na declaração do Imposto de Renda.

Dizem as más línguas — sempre muito bem informadas — que um causídico da capital resolveu modernizar a advocacia. Dinheiro? Pix? Transferência bancária? Nada disso. O doutor passou a aceitar honorários em forma de priquito.

No começo, parecia um excelente negócio. Cliente sem dinheiro aparecia com uma proposta alternativa, e o advogado, sensível às dificuldades econômicas da população, aceitava a permuta.

O problema é que escritório tem aluguel, secretária, telefone, condomínio, cafezinho e anuidade da OAB. E nenhum desses credores aceita priquito como moeda corrente.

A situação foi se agravando. Entrava muito honorário, mas não entrava dinheiro. A contabilidade ficou desesperada. O contador perguntava:

— Doutor, como eu lanço isso?

— Serviços advocatícios.

— E a forma de pagamento?

— In natura.

Agora dizem que o homem está à beira da bancarrota. Trabalhou muito, recebeu bastante e não juntou um tostão.

Fica a lição para a jovem advocacia: diversificar investimentos é importante, mas é recomendável que pelo menos uma parte dos honorários tenha liquidez.

Porque priquito pode até abrir muitas portas.

Só não paga boleto.

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