Se o PT no Distrito Federal quiser manter nas mãos de um petista a cadeira de deputado federal que hoje possui, precisa olhar com atenção para a matemática eleitoral e para a disputa interna da Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PV e PCdoB.
A eleição proporcional não separa os votos dos três partidos na hora de calcular quantas cadeiras caberão à Federação. Os votos dados aos candidatos e às legendas ajudam a formar o total da chapa federada. Depois, a disputa pela cadeira ocorre entre os candidatos que compõem essa mesma lista, conforme a votação nominal e as regras eleitorais.
É aí que está o problema para o PT.
A pesquisa Correio/Opinião divulgada em 23 de setembro mostra Agnelo Queiroz, do PT, e Reginaldo Veras, do PV, empatados com 0,80% das intenções espontâneas de voto. O próprio levantamento projeta, no cenário pesquisado, uma cadeira de deputado federal para a Federação PT/PV/PCdoB.
Isso significa que os votos dados pelos petistas aos diversos candidatos da Federação ajudam a formar o bolo eleitoral que poderá garantir essa cadeira. Mas quem vai sentar nela dependerá da votação individual obtida pelos candidatos.
Na minha avaliação, a dispersão dos votos do PT entre candidaturas com menor desempenho pode favorecer um candidato de outro partido da Federação que termine a eleição com votação nominal superior. O mesmo raciocínio merece atenção no caso do voto apenas na legenda: ele ajuda a Federação a conquistar cadeiras, mas não aumenta diretamente a votação nominal de um candidato petista.
Por isso, considero que a concentração do voto petista em uma candidatura competitiva seria uma estratégia para aumentar as chances de a cadeira conquistada pela Federação permanecer com o PT. Hoje, Agnelo Queiroz, número 1310, está
entre os nomes petistas competitivos e aparece empatado com Reginaldo Veras no levantamento mais recente.
A matemática eleitoral não tem coração partidário. Depois que PT, PV e PCdoB decidiram caminhar juntos numa Federação, passaram também a disputar entre si as cadeiras que conseguirem conquistar.
No fim das contas, a urna é quem decidirá qual partido e qual candidato ocuparão a vaga.