sexta-feira, 24 de julho de 2026
Grife sem resultado: Ancelotti enfrenta rejeição inédita entre torcedores brasileiros
23/07/2026

A matéria  publicada em O Norte Online e no Jornal de Brasília, nesta quinta-feira (23), sobre a possibilidade de Carlo Ancelotti deixar a Seleção Brasileira para assumir a Itália produziu um resultado que talvez diga mais do que qualquer pesquisa de opinião. Em mais de 100 comentários deixados por leitores e torcedores, não apareceu uma única manifestação de apoio à permanência do treinador italiano. Pelo contrário. A reação foi praticamente unânime: “vai logo”, “aceite”, “tchau” e “já vai tarde” dominaram o debate.

É evidente que comentários em redes sociais não têm qualquer valor científico. Não substituem pesquisas de opinião nem permitem conclusões estatísticas sobre o pensamento da torcida brasileira. Mas, quando a unanimidade se estabelece de forma tão contundente, ela revela um sentimento que merece registro.

As mensagens falam por si. “Não pense duas vezes, Ancelotti. Aceite logo. Tchau”, escreveu um internauta. “Que assim seja! Vá na paz e nem olhe para trás”, comentou outra leitora. “Agora é Abel Ferreira”, sugeriu um terceiro. Outros foram ainda mais diretos: “Vai logo”, “Já vai tarde”, “A Itália precisa de você”, “Nos poupe”, “Ficou um ano e foi fracasso no Brasil” e até “Leva os jogadores juntos”.

O que impressiona não é apenas a crítica. É a ausência completa de vozes defendendo a continuidade do trabalho.

E isso talvez explique o que aconteceu com Carlo Ancelotti no Brasil. Quando desembarcou para comandar a Seleção, trouxe consigo um currículo praticamente inalcançável. Campeão nas cinco principais ligas da Europa, vencedor de inúmeras Ligas dos Campeões e reconhecido como um dos maiores técnicos da história do futebol, ele chegou envolto em uma aura de grife.

Só que o futebol não vive de currículo. Vive de resultado.

Na prática, o desempenho da Seleção sob seu comando ficou muito abaixo da expectativa criada. O aproveitamento acabou inferior ao obtido por Tite em seu ciclo e muito próximo daquele registrado por Dorival Júnior. Para quem recebia o maior salário entre todos os técnicos de seleções nacionais, esperava-se muito mais.

Talvez a melhor comparação seja com alguém que compra uma roupa da marca mais famosa do mundo imaginando que ela transformará completamente sua imagem. A etiqueta impressiona. O preço chama atenção. Mas, quando veste, nada muda. O encanto desaparece porque a promessa não se concretizou.

Foi exatamente isso que ocorreu com Ancelotti. O nome continuou gigantesco. O trabalho, porém, não acompanhou a dimensão da reputação.

Por isso, a revelação feita por Paolo Maldini de que a Federação Italiana procurou Ancelotti acabou sendo recebida no Brasil não com preocupação, mas quase como um alívio. A possibilidade de o treinador assumir a reconstrução da Azzurra, mesmo tendo contrato renovado com a CBF até 2030, passou a ser vista por muitos torcedores como uma solução positiva para todos os lados.

Naturalmente, nada disso significa que Ancelotti vá deixar o cargo. Não existe negociação confirmada nem qualquer sinal de rompimento contratual. Mas a repercussão mostra algo difícil de ignorar: o prestígio que o treinador trouxe da Europa ficou pelo caminho.

Se antes Carlo Ancelotti era praticamente uma unanimidade antes mesmo de estrear, hoje a impressão é exatamente a oposta. E, ainda que não exista margem científica para medir essa reação pelas redes sociais, existe uma certeza impossível de contestar nos comentários publicados: o torcedor brasileiro, ao menos entre os que participaram desse debate, parece ter perdido completamente o encanto pela maior grife da história dos bancos de reservas.

canal whatsapp banner

Compartilhe: