
A retomada do Campeonato Brasileiro deixou uma mensagem clara: os candidatos ao título não desperdiçaram a pausa da Copa do Mundo. Palmeiras e Flamengo voltaram em alta, venceram fora de casa com autoridade e mantiveram o ritmo que os colocou na ponta da tabela. O Palmeiras fez 3 a 1 no Coritiba e chegou aos 44 pontos. O Flamengo goleou a Chapecoense por 4 a 0, foi a 37 e ainda tem um jogo a menos. Enquanto isso, Internacional e São Paulo decepcionaram seus torcedores ao perderem em casa por 2 a 1 para Cruzeiro e Athletico-PR, respectivamente.
Mas talvez o personagem mais interessante da rodada nem tenha sido Pedro, que segue consolidando a artilharia do campeonato. Foi Arrascaeta.
O uruguaio viveu uma Copa do Mundo frustrante. Convocado, viu o Uruguai fazer uma campanha muito abaixo das expectativas e sequer entrou em campo nos três jogos da fase de grupos. Ainda assim, passou semanas integrado à seleção, treinando, mantendo a preparação física e o ritmo de trabalho exigido de um atleta de alto rendimento.
O resultado apareceu imediatamente. Bastou voltar ao Flamengo para jogar bem, participar da equipe e mostrar que estava pronto para competir.
É nesse ponto que surge uma comparação inevitável com Neymar.
O camisa 10 foi à Copa lesionado, passou boa parte do torneio em recuperação e retornou nos dois últimos jogos do Brasil. Se estava liberado para atuar na reta final do Mundial, é porque havia recuperado as condições físicas necessárias para competir no mais alto nível.
Entretanto, poucos dias depois da eliminação brasileira, enquanto o Santos disputava uma partida importante pela Copa Sul-Americana, Neymar não estava à disposição do clube. Em vez disso, participou de um torneio profissional de pôquer.
A discussão não é sobre o direito de um atleta aproveitar seu tempo livre ou ter hobbies. O contraste está na prioridade demonstrada por dois jogadores que viveram situações semelhantes durante a Copa. Um voltou imediatamente ao trabalho e respondeu dentro de campo. O outro optou por um compromisso fora do futebol justamente quando seu clube mais precisava dele.
É esse tipo de postura que ajuda a explicar por que alguns jogadores conseguem prolongar o protagonismo ao longo da carreira, enquanto outros convivem permanentemente com questionamentos sobre comprometimento.
A rodada do Brasileirão confirmou a força de Palmeiras e Flamengo na disputa pelo título. Mas também serviu para lembrar que, no futebol de alto nível, talento continua sendo decisivo. Só que profissionalismo ainda faz toda a diferença.