
A demissão de Fernando Diniz pelo Corinthians, depois de sete derrotas consecutivas no Brasileiro, atualiza um roteiro conhecido. Ele chega sob desconfiança, conquista algumas vitórias e empolga a torcida. Logo aparece a sensação de que todas as críticas anteriores eram injustas. Até que os resultados pioram, a pressão aumenta e a diretoria, depois de tentar sustentá-lo, anuncia sua saída.
Nas redes, esse roteiro ganhou o nome de “ciclo do Diniz”. As etapas variam, mas a passagem do encantamento à frustração aparece em diferentes trabalhos. No São Paulo (2020), a liderança do Brasileiro terminou em queda e demissão. No Fluminense (2023), houve tempo para conquistar a Libertadores antes de sair com o time na lanterna. No Cruzeiro, foram apenas quatro vitórias em 20 jogos.
Nesse ambiente de admiração, surgem também jogadores dispostos a apresentar Diniz como um treinador incomparável, dono de métodos extraordinários. Os elogios podem ser sinceros, mas não deveriam ficar acima de uma leitura crítica: agradar publicamente ao chefe também pode ser uma maneira de preservar espaço e prestígio.
Diniz precisa distinguir reconhecimento de bajulação. A aprovação do elenco, por mais enfática que seja, não comprova que o trabalho esteja funcionando. Quando as derrotas se acumulam, o problema exige respostas que nenhum depoimento elogioso pode oferecer.
Os títulos demonstram que Diniz tem qualidades. As quedas recorrentes mostram sua dificuldade para corrigir trabalhos que perderam o rumo. Seu próximo desafio será interromper esse roteiro. Porque convencer uma nova torcida ele já conseguiu várias vezes.