Os acontecimentos, ocorridos na terça-feira (5 de maio de 2026) durante uma partida válida pelos Jogos Universitários Brasileiros de Praia, em Guarapari, relacionados a Carina Rocha, da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) reacenderam uma discussão importante: até quando atletas serão avaliadas pela aparência e não pelo desempenho esportivo?
Durante a transmissão, uma atleta recebeu comentários dos narradores que fugiam completamente da análise da partida. Mas a discussão vai além daquele episódio específico. Porque o problema não existe apenas quando os comentários são ofensivos ou constrangedores. Mesmo quando são tratados como “elogios”, o foco continua errado.
No esporte, e ai falo não só do futebol feminino, mas de todos os esportes femininos, as atletas deveriam ser analisadas como atletas. Pela técnica, pela leitura de jogo, pela competitividade, pela preparação física e pelo que produzem dentro de campo, da quadra ou da areia. Não pela aparência física.
Homens erram passes, perdem gols, discutem em campo e normalmente recebem críticas ou análises técnicas. Já mulheres ainda convivem com comentários sobre corpo, cabelo, voz ou aparência, como se isso fosse parte natural da transmissão esportiva.
E isso diminui o próprio esporte, que deixa de contar com grandes atletas, porque transforma profissionais de alto rendimento em personagens, e elas acertadamente não aceitam. Nenhuma atleta entra em campo querendo ser avaliada pela aparência. Ela quer ser reconhecida pelo desempenho, pela dedicação e pelo trabalho realizado.
A valorização do esporte também passa pela forma como ele é narrado, como ele é tratado pela imprensa. E talvez esteja mais do que na hora de entender que beleza nunca deveria ser critério de análise esportiva.