
A Confederação Brasileira de Futebol começou a discutir mudanças nos horários do Brasileirão após um estudo sobre público e audiência entre 2023 e 2025. A ideia é reduzir os jogos no domingo à noite e praticamente eliminar as partidas das 19h no meio de semana, horários que vêm apresentando desempenho abaixo da média nos estádios.
A entidade percebeu que o torcedor responde melhor às faixas mais tradicionais, especialmente domingo às 16h, horário que continua sendo o mais forte do campeonato brasileiro. Também existe uma intenção de explorar mais partidas às 11h da manhã em determinadas regiões e épocas do ano.
O problema é que, embora a CBF trate isso como uma modernização importante, o principal ponto segue praticamente intocado: os jogos continuam terminando tarde demais no Brasil porque a televisão manda na tabela. E não há qualquer sinal concreto de mudança nisso.
As partidas das 21h30 — e, em alguns casos, até das 22h — seguem existindo basicamente porque o futebol brasileiro entra na programação depois da novela. A lógica comercial da televisão continua sendo prioridade absoluta. Primeiro termina a grade nobre, depois a bola rola.
E talvez aí esteja uma das maiores distorções do futebol brasileiro. Enquanto ligas europeias tentam aproximar o torcedor do estádio, aqui o público precisa aceitar jogos que terminam perto da meia-noite em plena quarta-feira. Quem depende de ônibus, metrô ou precisa acordar cedo no dia seguinte simplesmente paga a conta desse modelo.
A própria CBF admite, nos bastidores, que presença de público nunca foi o fator principal na definição das tabelas. Pesam muito mais os interesses das emissoras, os contratos comerciais, o calendário apertado, as competições continentais e as questões de segurança pública.
Ou seja: acabar com o domingo à noite e reduzir jogos às 19h pode até ser um começo. Mas o debate continuará incompleto enquanto ninguém tiver coragem de enfrentar o verdadeiro centro do problema: o futebol brasileiro ainda é organizado em função da novela, e não do torcedor.