João Pessoa, quarta-feira, 7 de outubro de 2026
Canetas emagrecedoras exigem supervisão para evitar perda muscular
07/10/2026

O uso de medicamentos popularmente conhecidos como canetas emagrecedoras tem sido associado à perda de peso no tratamento da obesidade, mas também pode levar à deficiência de vitaminas e à perda de massa muscular, especialmente quando não há mudança de hábitos alimentares e de atividade física.

Em entrevista à Agência Brasil, o endocrinologista Marcio Mancini, membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e coordenador do Departamento de Farmacoterapia da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso), afirmou que medicamentos da classe dos agonistas do receptor GLP 1 podem causar deficiência de micronutrientes e perda excessiva de massa muscular se não houver acompanhamento adequado.

Segundo ele, o forte efeito de redução do apetite e de atraso do esvaziamento do estômago faz com que muitos pacientes diminuam de forma drástica a ingestão de alimentos, o que pode resultar em consumo insuficiente de proteínas e vitaminas. Por isso, o médico orienta que, no início do tratamento, a prioridade seja a densidade nutricional das refeições, e não apenas a redução do tamanho das porções.

Mancini sugere metas de proteína de aproximadamente 1,2 grama por quilo por dia para indivíduos jovens e saudáveis, e de 1,5 grama por quilo por dia para idosos ou pessoas em risco de sarcopenia, que é a perda de massa muscular. Ele também diz que é essencial acompanhar a massa magra por meio de exames como bioimpedância e densitometria de corpo inteiro, além de testes de força de preensão manual, para evitar que a perda de músculo ultrapasse 25% de todo o peso perdido.

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