Julian Lemos tem razão ao criticar a comparação da fuga de Flávio Bolsonaro com os episódios bíblicos de Davi, José e Jesus. É o cúmulo da heresia política!
Davi fugiu para preservar a vida; José, para não cair em tentação; Jesus retirou-se diante da perseguição. Nenhum deles buscou transformar conveniências pessoais em virtudes sagradas.
A devoção bolsonarista perdeu a medida: primeiro fizeram de Bolsonaro um messias; agora querem canonizar o filho. Daqui a pouco, dirão que a viagem aos Estados Unidos foi uma ascensão aos céus, com escala em Miami.
Confundir política com religião já é perigoso. Usar personagens bíblicos para justificar atitudes de políticos é pior ainda.
Como bem percebe Julian Lemos, falta apenas escreverem um novo Evangelho: o de São Flávio, padroeiro dos fugitivos.

