segunda-feira, 11 de maio de 2026
Até que o tesão nos separe?
10/05/2026

A gente conhece de cor: “até que a morte os separe”. Bonito na teoria, pesado na prática. Mas, numa coluna que olha pro sexo sem vergonha, fica a pergunta: e se o divórcio não vier da morte, e sim do deserto?

Porque o que mata muito casamento não é o fim da vida — é o fim da vontade. É o cansaço silencioso de quem já não se toca, não se olha, não se deseja. E fica ali, por obrigação, por medo, por convenção.

E se a gente atualizasse o voto pra algo como: “até que o amor e o desejo façam sentido para nós dois — e, se deixarem de fazer, que a gente tenha coragem de conversar, se reajustar ou se despedir sem trauma”?

Não é romantizar o fim. É humanizar o meio. É dizer que um casamento não precisa ser eterno pra ter sido verdadeiro. Às vezes, o ato mais respeitoso é admitir: “não morremos, mas também não vivemos juntos de verdade”.

E o sexo? O sexo é um termômetro honesto. Quando some, não é sempre o problema — mas quase sempre um sintoma. Negar isso é que é a falta de vergonha.

Então sim: que a gente possa se separar antes que o silêncio vire parede. Que o divórcio não seja fracasso, e sim reconhecimento de que a gente merece mais do que um contrato assinado com o corpo dormindo de lado.

Até que a morte os separe?

Só se a vida, enquanto ela dura, ainda tiver desejo.

Se não tiver, que venha a conversa. Sem culpa. Sem novela. Sem vergonha.

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Sem Vergonha
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Essa não é uma coluna pornográfica – longe disso. O casal João e Maria vai falar falar sobre sexo com respeito, leveza e sem rodeios, abordando os temas que fazem parte da vida de todas as pessoas, casais, homens e mulheres. Escreva pra nós: redacao@onorteonline.com