O centenário de nascimento de Ariano Suassuna se aproxima. O que foi preparado para celebrar a data? O governo e as instituições culturais da Paraíba prepararam algum evento para lembrar deste que se dizia apaixonadamente professor, mas é relevante como poeta, romancista, dramaturgo e artista plástico.
Ariano nasceu no dia 16 de junho de 1927 na Parahyba, quando seu pai João Suassuna era o presidente do Estado e viveu, no Palácio da Redenção, os seus primeiros anos de vida.
Autor que se consagrou como um dos principais escritores da língua portuguesa, ele escreveu peças de teatro que continuam fazendo sucesso, a exemplo do “Auto da Compadecida”, inclusive transportada para o cinema e a televisão, além de romances como “A Pedra do Reino”, igualmente transformada em minissérie produzida pela Rede Globo de Televisão.
Toda sua obra está centrada na vivência do Sertão, com sua gente e seus costumes, sonhos e busca de identidade. Foi um intransigente defensor da cultura que tem raízes fincadas no Nordeste.
A ausência do pai assassinado três anos depois marcou profundamente sua vida. Dele recordava pequenas passagens, que as mantinha vivas como lenitivo e suporte. As recordações guardadas do pai, poucas e distantes, alimentaram seu viver, fazendo aprofundar seu olhar às artes, único caminho de acalento à sofreguidão da distância paterna.
Homem de profundo sentimento ao Nordeste, Ariano retirou da terra inóspita e da vivência do seu povo o conteúdo de sua obra, fazendo brotar as mais admiráveis páginas literárias de amor e apego a esta região, cuja beleza transformou universal.
Ariano converteu e influenciou muita gente a olhar o Brasil de modo diferente, a aceitar sua complexidade e diversidade cultural. Por meio de sua obra muitos avançaram pelo Sertão poético buscando decifrar os encantos desta região, bela e misteriosa. Região de dias quentes e noites friorentas, com ventania cortante, uma vindo do Cariri, vento áspero e impetuoso e, o outro, procedendo das Espinharas, abrasador, incendiando as tardes.
Genial e inimitável, sua vida se completou no apogeu da glória literária, deixando um conjunto de obra que retrata a vida do povo brasileiro e, de modo especial, do Nordeste.
Foi no esturricado Sertão onde presenciou acontecimentos decisivos que marcaram sua vida de poeta, dramaturgo e romancista. Tudo o que observou, nos contatos e nas conversas que ouvia, ele utilizou na criação literária.
Será sempre o escritor que mais defendeu o Sertão do Nordeste, mesmo que existam outros sertões, nunca serão iguais ao Sertão que recolheu em sua obra de artista. Sempre se declarou enamorado da terra sertaneja.
Quando chegou à glória da imortalidade das letras, tomando posse na Academia Brasileira de Letras, fez uma declaração de amor ao Sertão, que chamou de terra luminosa do sol, extremamente boa e que tem o sol como coroa radiante, enchendo as nossas horas de alegria e fartura, confessou sua nostalgia quando dela estava distante.
Se a arte é necessária, mais ainda se torna quando debulhamos seus textos, seja em prosa ou versos, que está num alto grau criação de beleza e estética.
Ariano conseguiu o píncaro da criação artística através da escrita, o que poucos atingem, com raríssimas exceções. Quase uma unanimidade.
Seus livros dão leveza à alma somente proporcionada com a música clássica, porque contém uma sonoridade que nos leva a uma viagem de enorme prazer.
Deu nobreza a arte de escrever, devolveu ao escritor a verdadeira posição de lutar na defesa da identidade da nação.
Foi um otimista. Diante da dilapidação de nossas raízes culturais, empunhou a bandeira contra o desaparecimento da identidade nacional.
Nunca desistiu de suas convicções, suplantando possíveis erros com a grandeza de ser o escritor e o professor que sempre desejou ser, firme e decidido naquilo que abraçou e defendeu. Renovou, a cada dia, o compromisso de fidelidade ao oficio de escritor, de artista e a defesa da arte.
Um escritor glorioso e venerável. Ainda bem que ele, o Cavaleiro da Pedra do Reino, nasceu na Paraíba.