Com a chegada do calor, uma velha conhecida dos brasileiros costuma dar as caras com mais intensidade: a popular “suvaqueira”. O termo, que pode ser escrito também como “sovaqueira” , refere-se ao forte odor exalado pelas axilas, uma condição que, embora constrangedora, tem explicações científicas bem claras e, mais importante, solução .
Diferente do que muitos pensam, o suor em si não tem cheiro. O mau odor é, na verdade, resultado de um processo biológico envolvendo bactérias e hormônios. Este artigo explica por que isso acontece e como manter a confiança mesmo nos dias mais quentes.
Por que o cheiro aparece?
O corpo humano possui dois tipos principais de glândulas sudoríparas. As glândulas écrinas estão espalhadas por todo o corpo e produzem um suor composto basicamente por água e sais minerais, que ajuda a regular a temperatura. Já as glândulas apócrinas, localizadas principalmente nas axilas, área genital e mamas, entram em atividade na puberdade e são as grandes responsáveis pelo odor característico .
Essas glândulas liberam um suor mais gorduroso, rico em proteínas e lipídios. Quando essa secreção entra em contato com as bactérias que naturalmente vivem na superfície da pele, ocorre a decomposição desse material, gerando os compostos de enxofre e ácidos graxos voláteis que reconhecemos como “cecê”, “inhaca” ou “bodum” .
No calor, o problema se intensifica: as temperaturas elevadas estimulam a transpiração, e o ambiente quente e úmido das axilas se torna o cenário perfeito para a proliferação bacteriana .
Fatores de risco e outros nomes
Além da temperatura, alguns hábitos e condições podem piorar o quadro:
· Roupas apertadas e tecidos sintéticos: Dificultam a evaporação do suor e aumentam o abafamento local .
· Alimentação: O consumo excessivo de carne vermelha, álcool e alimentos condimentados pode alterar a composição do suor, tornando-o mais forte .
· Higiene: A falta de asseio ou a depilação irregular contribuem para o acúmulo de bactérias e secreções .
Curiosidade linguística: dependendo da região do Brasil, a suvaqueira ganha apelidos como “catinga” (em referência ao cheiro forte de animais) e “CC”, uma abreviação popular para “cheiro de corpo” .
Como resolver: da higiene à alimentação
A boa notícia é que, na maioria dos casos, a bromidrose (nome médico para o suor com mau cheiro) pode ser controlada com mudanças simples .
1. Higiene estratégica: O banho diário com sabonete antisséptico ou comum é essencial. Secar muito bem a região antes de se vestir também é crucial para não deixar umidade residual.
2. Escolha do antitranspirante: Existe diferença entre desodorante (perfuma) e antitranspirante (reduz a emissão de suor). Para casos de odor forte, os antitranspirantes com sais de alumínio costumam ser mais eficazes, embora existam opções sem alumínio no mercado para peles sensíveis .
3. Depilação regular: Os pelos funcionam como uma “colmeia” para bactérias e suor. Mantê-los reduzidos ajuda na limpeza e na ventilação da área .
4. Atenção ao guarda-roupa: Prefira camisas de algodão, que permitem a pele respirar. Evite repetir a mesma roupa sem lavar, mesmo que por pouco tempo, pois as bactérias aderem ao tecido .
5. Mudança na dieta: Aumentar a ingestão de vegetais verdes-escuros (ricos em clorofila) e reduzir o consumo de alimentos processados pode ajudar a neutralizar o odor de dentro para fora .
Quando procurar um médico?
Se as medidas caseiras não forem suficientes, é importante consultar um dermatologista. O odor excessivo pode, em alguns casos, estar relacionado a condições como diabetes, problemas hepáticos ou distúrbios hormonais . Para situações extremas, existem tratamentos mais avançados, como o uso de cloreto de alumínio sob prescrição ou até mesmo procedimentos cirúrgicos para a remoção das glândulas .
Lidar com a suvaqueira é uma questão de saúde e bem-estar. Com informação e cuidados adequados, é possível passar pelo verão com leveza e sem medo de levantar os braços.