Zé Lopes, um senhor baixinho, alegre e muito divertido e conversador, além de muito bom contador de Estória, morava com a mulher e os filhos numa casa bem próximo à Igreja Velha.
Os meninos gostavam das estórias dele. Mas ele sumia e passava duas ou três Luas sumido. E aí começou o mistério: para onde foi seu Zé Lopes? José Jose Saturnino De Souza, que sempre levou jeito para investigador, entrou em cena, descobrindo que Zé Lopes era funcionário da empresa inglesa Great Western e vivia viajando. Por isso sumia.
Além de funcionário da empresa inglesa, Zé Lopes era comerciante, vivendo de comprar e vender coisas, objetos por onde passava. A convivência com os ingleses lhe abriu a porta para o comércio de produtos do estrangeiro.
Camisas inglesas do mais puro algodão, o linho esbanjando beleza e simpatia. Quando ele chegava em casa era uma festa. Gente entrando e saindo querendo ver as novidades.
Sua esposa, uma mulher bem forte, era quem vendia. Falava mais do que papagaio de Cabaré, tudo para tirar a atenção das clientes. Era uma herança cigana.
Um bom dia minha mãe me chama para ir na casa da mulher de seu Zé Lopes provar uma camisa. Quem não ia pegar uma garapa dessa? E fomos. Chegamos, entramos e fomos convidados a sentar.
A mulher começou falar sobre um doce, dizendo que era uma maravilha e ofereceu. “Eu vou pegar um pouco para tu e teu menino, Geni”, disse e se retirou.
Quando voltou foi com duas vasilha nas mãos e entregou a mim e a minha mãe. Minha mãe levou a colher com o doce à boca e murmurou: “Uma delícia. Coma meu filho”.
Atendi e botei um pouco do doce na boca e senti um asco, uma repugnância, uma vontade de voltar para o Útero da minha mãe. Mais ruim do que Doce de Tomate, eu só conheço Guacamole, uma comida boliviana.
Eu estava próximo a uma janela que dava para uma passagem. Botei o braço para fora e derramei o doce. Peguei a vasilha e pus em cima da mesa e fui convidado pela mulher gorda para provar a camisa. “Ficou beleza. Assentou nele”, disse ela para minha mãe.
Nos despedimos e ela abre a porta que dá para a rua. Nisso entra um cachorro branco, gordo com uma mancha vermelha nas costas. A mulher se espanta e se pergunta: “O que foi isso”? Nessas situações me dá uma enorme vontade de mijar.
E eu corri para a rua e fiquei esperando minha mãe, que apareceu com a feição mudada. “Bonito o que você fez, né? Você não tem jeito”, reclamou. Eu ainda perguntei o que tinha feito e ela disse: “O doce no cachorro. Eu8 nunca vi coisa mais ruim”.
Rimos e voltamos para casa e eu contando os dias para inaugurar a camisa inglesa.
