quarta-feira, 24 de junho de 2026
CNJ pede explicação ao TJ-PB e mais 4 Tribunais sobre R$ 30 bilhões depositados no BRB
24/06/2026 12:16
Redação ON Reprodução

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) voltou a aumentar a pressão sobre cinco tribunais estaduais que mantêm cerca de R$ 30 bilhões em depósitos judiciais sob gestão do Banco de Brasília (BRB). O corregedor nacional de Justiça, ministro Mauro Campbell Marques, concedeu mais dez dias para que os tribunais da Paraíba, Bahia, Maranhão, Alagoas e Distrito Federal atualizem as informações sobre os recursos depositados na instituição financeira.

A nova movimentação do CNJ demonstra que o assunto continua longe de ser considerado encerrado. Embora o BRB sustente que os recursos estão preservados e que não existe qualquer anormalidade operacional, o fato é que o Judiciário nacional segue acompanhando de perto uma situação que envolve valores bilionários pertencentes a cidadãos, empresas e partes que aguardam decisões judiciais.

O tema ganhou relevância nacional nos últimos meses após o agravamento da crise envolvendo o banco e as discussões sobre a necessidade de medidas de reforço financeiro para a instituição. Em maio, o próprio O Norte Online revelou que a possibilidade de um socorro financeiro ao BRB vinha sendo recebida com alívio por órgãos públicos que mantêm recursos na instituição, entre eles o Tribunal de Justiça da Paraíba e a Prefeitura de João Pessoa.

Na ocasião, o portal também chamou atenção para um debate que praticamente não ganhou espaço na imprensa paraibana: os riscos decorrentes da elevada concentração de recursos públicos em uma instituição financeira que passou a enfrentar questionamentos sobre sua solidez. Sem alarmismo, mas com senso de responsabilidade, O Norte Online foi um dos poucos veículos a alertar que uma eventual deterioração mais severa do cenário poderia gerar impactos administrativos e institucionais relevantes.

O próprio CNJ já havia solicitado esclarecimentos aos tribunais em fevereiro. Agora, ao renovar a cobrança e pedir atualização dos dados, o órgão sinaliza que continua monitorando atentamente a situação. Segundo informações prestadas pelo presidente do BRB ao Senado, os depósitos judiciais sob custódia do banco somam aproximadamente R$ 30,6 bilhões.

Especialistas lembram que os depósitos judiciais não integram o patrimônio do banco e possuem proteção jurídica específica. Ainda assim, o receio discutido nos bastidores não está relacionado à perda direta dos recursos, mas às consequências que poderiam surgir em um cenário extremo de intervenção, liquidação ou forte instabilidade operacional da instituição financeira.

Na Paraíba, a preocupação ganha dimensão adicional porque o relacionamento com o BRB não se limita ao Tribunal de Justiça. A Prefeitura de João Pessoa também mantém parceria financeira relevante com o banco, ampliando o interesse local sobre os desdobramentos do caso.

Até o momento, não existe qualquer indicação concreta de liquidação do BRB nem de comprometimento dos recursos administrados pela instituição. O Tribunal de Justiça da Paraíba já informou anteriormente que acompanha permanentemente a situação financeira e operacional do banco e que não há registro de descumprimento contratual.

Mas o fato de o CNJ continuar cobrando informações, de ministros do Supremo Tribunal Federal terem sido acionados e de autoridades econômicas discutirem os riscos envolvidos demonstra que o assunto permanece no radar dos órgãos de controle. E justamente por envolver bilhões de reais pertencentes à população, trata-se de um tema que merece acompanhamento constante, transparência e vigilância institucional.

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