João Pessoa, quinta-feira, 5 de novembro de 2026
Adam Smith e o caminho para o desenvolvimento
05/11/2026 07:04
Redação ON Reprodução

*Por Vladimir Maciel

Há 250 anos, um filósofo escocês lançava as bases da ciência econômica moderna. Com a publicação de A Riqueza das Nações, em 1776, Adam Smith decifrou o motor da prosperidade das nações: ela não decorre do acúmulo de metais preciosos ou de saldos artificiais de balança comercial, mas da capacidade de o trabalho humano gerar renda, inovação e consumo. Em essência, uma economia fundamentada na livre iniciativa e na fluidez das trocas é o arranjo mais poderoso já inventado para criar riqueza material.

Nesse arranjo, o papel do Estado extrapola a segurança pública e a justiça: cabe-lhe assegurar as instituições fundamentais, como o Estado de Direito e a inviolabilidade dos direitos de propriedade, que dão sustentação ao mercado livre. É esse ambiente descentralizado, guiado pelo sistema de preços, que harmoniza a oferta e a demanda, garantindo que a produção real atenda às reais necessidades da sociedade.

Historicamente, as intuições de Smith inauguraram a era de maior expansão demográfica, tecnológica e de bem-estar da história humana, reduzindo a pobreza extrema a patamares inéditos.

Contudo, o horizonte atual exige cautela. O desafio de integrar ao mercado global as populações que ainda vivem à margem na América Latina, na África e na Ásia esbarra em um retrocesso preocupante: o resgate de discursos nacionalistas, políticas mercantilistas e velhas práticas protecionistas, liderados ironicamente pela maior economia do mundo, a mesma que tanto prosperou sob a égide do liberalismo.

O Brasil, por sua vez, permanece a meio caminho, oscilando entre o ímpeto de abrir sua economia ao livre mercado e o saudosismo das amarras protecionistas que marcaram o período de 1930 a 1980. Não por acaso, o relatório de 2026 do Economic Freedom of the World (Fraser Institute) coloca o país na 85ª posição, estagnado na faixa intermediária-baixa do ranking global de liberdade econômica.

Por que isso importa? Porque afastar-se dos princípios smithianos é cobrar o preço da estagnação. Evidências empíricas demonstram de forma inequívoca que ambientes com maior liberdade econômica atraem mais inovação, geram renda per capita superior, reduzem a informalidade, diminuem a pobreza e elevam a expectativa de vida.

É para encarar de frente esses dilemas que a Universidade Presbiteriana Mackenzie realiza, nos dias 11 e 12 de novembro, o X Fórum Mackenzie de Liberdade Econômica. O evento reunirá especialistas para debater as reformas estruturais urgentes que o Brasil precisa implementar, a atualidade incontornável da obra de Adam Smith dois séculos e meio depois e os caminhos geopolíticos e econômicos da liberdade no cenário contemporâneo.

*Professor de Ciências Econômicas da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM)

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