Um acordo de paz entre Irã e Estados Unidos promete encerrar meses de tensão militar no Oriente Médio e restabelecer a navegação no estratégico Estreito de Ormuz. O anúncio foi feito neste domingo (14) pelo primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, que atuou como um dos principais mediadores das negociações.
Pelos termos acertados, todas as operações militares na região serão interrompidas imediatamente, incluindo ações no Líbano. A assinatura oficial do pacto está prevista para o próximo dia 19 de junho, em Genebra, na Suíça. A normalização completa do tráfego marítimo em Ormuz ocorrerá após a formalização do acordo.
A notícia teve impacto imediato nos mercados internacionais. O preço do petróleo registrou queda superior a 4%, enquanto os contratos futuros das bolsas norte-americanas passaram a operar em alta, refletindo o alívio dos investidores diante da perspectiva de estabilidade na principal rota mundial de transporte de petróleo e gás natural.
Em publicação nas redes sociais, Sharif informou que reuniões preparatórias serão realizadas ao longo da semana para definir detalhes técnicos e organizar a cerimônia de assinatura do entendimento.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, comemorou o desfecho das negociações e anunciou a suspensão imediata do bloqueio naval norte-americano na região. Segundo ele, o acordo permitirá a retomada sem restrições da navegação pelo Estreito de Ormuz.
O vice-presidente norte-americano, JD Vance, confirmou que pretende participar da cerimônia de assinatura em Genebra e admitiu que Trump também poderá comparecer ao evento.
Pelo lado iraniano, o vice-ministro das Relações Exteriores, Kazem Gharibabadi, afirmou que o texto do memorando de entendimento já foi concluído e aguarda apenas a assinatura oficial. Segundo a agência iraniana Fars, as negociações chegaram a ser interrompidas após um ataque israelense a um subúrbio de Beirute, no Líbano, mas foram retomadas após concessões de última hora envolvendo garantias para a integridade territorial libanesa, a retirada de forças israelenses da fronteira e o fim do bloqueio marítimo ao Irã.
A repercussão do acordo também deverá dominar a agenda da próxima reunião do G7. O presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou que os líderes das principais economias do mundo discutirão os efeitos da reabertura de Ormuz, o apoio ao Líbano e os desdobramentos de futuras negociações sobre o programa nuclear iraniano.
O conflito teve início no fim de fevereiro, após ataques conduzidos pelos Estados Unidos e por Israel contra alvos iranianos. Em resposta, Teerã lançou ofensivas contra Israel e aliados na região e passou a restringir o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz. Os Estados Unidos reagiram impondo bloqueios aos portos iranianos, agravando uma crise que ameaçava o abastecimento energético global.