A fervura política na Paraíba subiu de tom recentemente após uma troca de declarações entre o presidente da Assembleia Legislativa, Adriano Galdino (Republicanos), e o senador Efraim Filho (PL). O estopim do debate foi uma análise de Galdino sobre a viabilidade das forças conservadoras no estado. Segundo o chefe do Legislativo, a direita paraibana tem um “teto” intransponível de 25% das intenções de voto — um limite que, na avaliação dele, inviabilizaria os planos de Efraim na disputa pelo governo do estado diante de candidaturas governistas como a de Lucas Ribeiro. Efraim, contudo, rebateu de imediato, argumentando que a régua de Galdino está descalibrada e que a direita registrou, na verdade, 36% dos votos na última eleição majoritária.
O que dizem as urnas
A realidade das urnas mostra que a linha que separa as narrativas dos dois líderes políticos está no meio do caminho. Se olharmos para o resultado oficial do segundo turno da eleição presidencial de 2022 no estado – o termômetro mais nítido do voto ideológico -, o campo conservador liderado por Jair Bolsonaro obteve 33,38% dos votos válidos na Paraíba (802.502 votos), contra 66,62% de Lula (1.601.953 votos). O número real indica que a direita tem um solo significativamente maior do que os 25% apontados por Galdino, embora não tenha alcançado os 36% citados por Efraim.
A geografia do voto
Esse percentual de um terço do eleitorado estadual ganha contornos complexos quando o mapa da Paraíba é detalhado. Na última eleição, as duas principais forças urbanas do estado demonstraram um comportamento muito mais inclinado à direita e à oposição do que a média estadual. Em João Pessoa, houve um empate virtual na corrida presidencial: Lula venceu com 50,10% contra 49,90% de Bolsonaro. Já em Campina Grande, o ex-presidente do PL manteve uma força expressiva ao conquistar 48,17% dos votos válidos.
No entanto, o teto ou o chão da direita na Paraíba depende diretamente de como as forças políticas dialogam com o interior. Foi a votação esmagadora no Sertão, no Curimataú e no Cariri que neutralizou o avanço conservador dos grandes centros urbanos em 2022, garantindo não apenas a folgada vitória do PT a nível federal, mas também a reeleição de João Azevêdo para o governo com 52,51% dos votos válidos contra 47,49% de Pedro Cunha Lima.
É preciso lembrar, contudo, que a fotografia de 2022 serve como bússola, mas nunca como destino traçado. Nenhum desses números carrega a garantia de se repetir na eleição de 2026. A história política mostra que cada pleito tem sua própria dinâmica, suas próprias alianças e um enredo único.
O passado serve para balizar as estratégias, mas o futuro do Palácio da Redenção continuará dependendo da capacidade de cada grupo político em ler o sentimento do eleitor quando as urnas finalmente se abrirem.