A lateral Tamara Bolt está vivendo um momento especial na carreira: sua primeira convocação para a Seleção Brasileira. Em entrevista exclusiva à CBF TV, a atleta contou como recebeu a notícia e compartilhou um relato emocionante sobre sua trajetória, marcada por desafios e pela construção de sonhos que, durante muito tempo, pareciam distantes de sua realidade.
“Eu não estava com expectativa, tanto que nem estava assistindo a convocação. Uma amiga me ligou avisando que eu tinha sido convocada e eu achei que ela estava me enganando. Fiquei muito feliz”, disse.
A jogadora também refletiu sobre como sua origem influenciou a maneira como enxergava o próprio futuro no futebol. Antes de sonhar em vestir a camisa da Seleção, seu principal objetivo era se tornar atleta profissional e ajudar a família. A conquista desse primeiro passo, no Internacional, abriu novas perspectivas.
“Todos sabem que é o sonho de qualquer jogadora (representar a Seleção), mas dependendo de onde você vem, as coisas se encaminham para um lado mais difícil. Antes de pensar que eu queria chegar na Seleção, pensava que eu queria pelo menos chegar lá, no caso, queria ser atleta profissional e conseguir ajudar minha família. Quando eu consegui me tornar profissional no Internacional, aí eu entendi que poderia sonhar em estar na Seleção”, completou.
A relação de Tamara com o futebol começou cedo. Aos sete anos, ela já jogava com primos, irmãos e amigos. Ao longo da infância, passou por escolinhas em que era a única menina, mas seguiu firme no esporte. Desde então, construiu uma trajetória que incluiu passagens pelo Bahia e pelo Internacional até chegar ao Washington Spirit, nos Estados Unidos.
“Minha passagem pelo Bahia foi muito importante, apesar de não ter sido longa. Eu consegui entender melhor algumas coisas e foi bom para minha chegada no Internacional, que já era uma equipe de mais destaque. No começo, a adaptação foi difícil nos Estados Unidos, mas eu sou uma pessoa que consegue se adaptar fácil às coisas. Quando eu consegui entender um pouco de inglês, facilitou tudo”, falou.
Ao longo dessa caminhada, Tamara também contou com o incentivo de pessoas fundamentais para sua formação. Entre elas, destacou a avó, Edna, e Alan, que considera como um irmão mais velho e que também a apoiou nos estudos.
Agora, em sua primeira experiência com a Amarelinha, a jogadora também enxerga a oportunidade como uma forma de inspirar novas gerações. Para ela, a evolução do futebol feminino nos últimos anos, com mais oportunidades para meninas iniciarem a prática esportiva, torna esse momento ainda mais especial.
“Eu acho que a Copa do Mundo no Brasil será muito inspiradora para as meninas, porque há 4 anos o futebol feminino não estava tão evoluído como está agora. Temos escolinhas de futebol só para meninas, por exemplo. Eu acredito que será muito legal e que as meninas vão ficar muito felizes por poderem assistir”, finalizou.
