João Pessoa, sábado, 10 de outubro de 2026
Dia do Corretor: Brasil tem mais de 151 mil registros ativos em um mercado que exige atualização e visão de negócio
10/10/2026 15:14
Redação ON Reprodução

O Brasil soma 151.568 registros ativos de corretores de seguros, dos quais 65.312 são de empresas. Somente em 2026, mais de 9 mil novos registros foram contabilizados, segundo dados divulgados em setembro pela Superintendência de Seguros Privados (Susep).

A entrada de novos profissionais ocorre em um mercado que mantém crescimento em importantes linhas de proteção. No primeiro semestre de 2026, os seguros de danos e pessoas, excluindo VGBL (Vida Gerador de Benefício Livre, modalidade de previdência privada aberta), movimentaram R$ 113,86 bilhões, avanço de 6,51% sobre o mesmo período do ano anterior. Vida teve alta de 10,29% e Automóvel, de 6,29%, conforme a Susep.

Celebrado em 12 de outubro, o Dia do Corretor de Seguros teve a data escolhida durante o I Encontro Mundial dos Corretores de Seguros, realizado na Argentina no início da década de 1970. No Brasil, a profissão havia sido regulamentada alguns anos antes pela Lei nº 4.594, sancionada na década de 60.

Mais de seis décadas depois, a habilitação técnica continua sendo a porta de entrada para a atividade, mas não encerra a formação de quem pretende desenvolver carreira no setor. Produtos mudam, novos riscos chegam ao mercado e a relação com os clientes demanda atualização frequente. De acordo com Paulo Ricardo Costa, diretor executivo de Distribuição da Zurich Seguros e profissional com mais de 30 anos de experiência no mercado segurador, ter vasta familiaridade com as coberturas e soluções é apenas parte do trabalho.

“Quem escolhe a corretagem precisa entender que o aprendizado continua durante toda a carreira. Dominar os produtos é fundamental, porém o conhecimento ganha valor quando o profissional interpreta a necessidade do cliente e orienta, de forma consultiva, uma decisão de proteção com segurança. Colocar o cliente no centro é justamente o que dá sentido a esse trabalho”, afirma.

Uma carteira exige gestão, não apenas vendas

Depois dos primeiros clientes, surge outro desafio. O corretor também administra um negócio e precisa fazer a gestão da carteira que formou. Isso envolve acompanhar contratos, entender mudanças no perfil dos segurados e avaliar quais segmentos fazem sentido para a própria estratégia comercial.

A diversificação entra na análise menos como quantidade de produtos e mais como capacidade de enxergar novas necessidades dentro de uma relação já existente. Um cliente muda de emprego, constitui família, abre uma empresa ou acumula patrimônio. Para o corretor, acompanhar essas transformações cria espaço para revisar a proteção oferecida e manter a carteira saudável.

“Crescer não significa simplesmente colocar mais negócios para dentro. É importante saber onde concentrar esforços, estudar a qualidade da carteira e entender quais oportunidades são coerentes com a estrutura da corretora. Essa visão de gestão faz diferença para quem pretende permanecer no mercado no longo prazo”, pontua o diretor executivo de Distribuição da Zurich Seguros.

Tecnologia libera tempo, mas exige organização

A transformação digital também alterou a rotina. Automatizar tarefas administrativas reduz etapas manuais e dá ao profissional mais tempo para atividades que dependem de análise, relacionamento e conhecimento do cliente. A tecnologia, no entanto, exige processos organizados e informação confiável para funcionar bem.

A experiência da WA Seguros, corretora parceira da Zurich sediada em Santa Bárbara d’Oeste, no interior de São Paulo, mostra essa mudança entre gerações. Fundada há 32 anos por Gil Arquimedes Cones, a empresa passou a contar também com a atuação do filho, Caio Henrique Rainha Cones, sócio-diretor e corretor, cuja formação profissional começou na área de tecnologia.

A entrada de Caio trouxe automação para processos da corretora, enquanto o atendimento próximo permaneceu como parte da forma de trabalhar da família. Gil conta que parte dos clientes atuais pertence à segunda ou à terceira geração de famílias atendidas pela organização, sinal de uma relação que atravessou as mudanças tecnológicas do período.

“Atendemos filhos e até netos de clientes que começaram conosco. A forma de trabalhar mudou, as ferramentas evoluíram, mas a confiança continua sendo construída no atendimento e na disponibilidade para o cliente. Na construção de uma carreira, essa relação de longo prazo tem um valor enorme”, pontua o fundador da WA Seguros.

Para quem está começando, o caso traz uma lição menos ligada à ferramenta escolhida e mais à maneira de incorporá-la ao negócio. Tecnologia tem valor quando diminui trabalho operacional, melhora a organização e libera o corretor para atividades em que seu conhecimento interfere diretamente na experiência do segurado.

O caso também revela que o valor da tecnologia está menos na ferramenta em si e mais na forma como ela é incorporada à operação. Ao reduzir tarefas manuais e melhorar a organização, abre espaço para que o corretor dedique mais tempo a atividades que exigem análise e julgamento humano.

“Minha formação veio da tecnologia e, quando ingressei na corretora, enxerguei espaço para automatizar processos e organizar melhor a operação. Isso libera tempo para olhar o negócio, estudar novas soluções e estar mais presente na relação com o cliente. A tecnologia funciona melhor quando fortalece o trabalho do corretor, e não quando tenta substituir aquilo que ele entrega”, destaca Caio.

Atualização acompanha toda a trajetória

Outro ponto decisivo é não confundir experiência com repertório permanente. O profissional que trabalha há muitos anos precisa continuar estudando, da mesma forma que quem acaba de entrar no setor precisa desenvolver conhecimento além da formação inicial.

Mudanças no comportamento do consumidor, novas modalidades de proteção e transformações econômicas alteram as perguntas que chegam às corretoras. A capacidade de acompanhar esses movimentos interfere tanto na qualidade da recomendação quanto nas escolhas sobre onde investir tempo e recursos.

Para Paulo Ricardo, o caminho não exige abandonar fundamentos tradicionais da profissão. “Ferramentas, produtos e formas de atendimento evoluem, e o corretor deve evoluir junto. O que permanece é a responsabilidade de avaliar bem cada situação, estudar o risco e orientar a contratação com critério. Uma carreira de longo prazo nasce dessa combinação entre preparo, capacidade de adaptação e confiança conquistada no trabalho diário”, conclui o executivo da Zurich Seguros.

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