Toda a direção da Polícia Federal do Brasil colocou os cargos à disposição em solodariedade ao direitor Andrei Rodrigues, afastado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça. Onze diretores, ao todo, se manifestaram contrários ao afastamento, que atingiu também Leandro Almada, diretor de Inteligência da PF.
Um manifesto assinado pelos diretores diz que os dois foram alvo de “ataques injustificados” e sustenta que a PF deve ser preservada de “tentativas de usurpação de funções”.Os 11 diretores foram colocados nos cargos por Andrei Rodrigues. Só não assinaram o manifesto o próprio Almada, porque foi afastado de seu cargo, e o delegado Murad, que assumiu hoje o cargo de diretor-geral.
“Da mesma forma como a Instituição Polícia Federal tem, em sua história e feitos, a razão de sólida admiração dos brasileiros, o Dr. Andrei também conta com um percurso profissional dedicado à defesa da PF, com atuação técnica, isenta e responsável”, justificam na nota divulgada.
Mendonça determinou o afastamento preventivo de Andrei Rodrigues e de Leandro Almada. A medida foi tomada no âmbito de pedidos apresentados pelo partido Novo na semana passada.
Rodrigues era visto internamente como respeitado e comprometido com a corporação. Antes da direção-geral, ele não ocupou os cargos centrais da entidade, mas, sim, postos de gestão. Foi oficial de ligação na Espanha, coordenador-geral de Polícia Fazendária, chefe da delegacia do aeroporto de Brasília e assistente do diretor executivo na gestão de Luiz Fernando Corrêa no segundo governo Lula.
Andrei Rodrigues tomou posse da direção-geral da PF em 10 de janeiro de 2023. Ele foi anunciado para o cargo em 9 de dezembro de 2022 pelo então ministro da Justiça, Flávio Dino, atualmente ministro do STF.
Desde que assumiu a direção da PF, esteve à frente da corporação em operações de destaque nacional. Entre elas, estão a Operação Compliance Zero, que investiga as fraudes financeiras do Banco Master; Sem Desconto, responsável por investigar a fraude nos descontos indevidos do INSS; e Overclean, na apuração de um esquema de desvio de recursos públicos de emendas parlamentares, corrupção, fraudes em licitações e lavagem de dinheiro.

