João Pessoa, segunda-feira, 12 de outubro de 2026
Vicente Lamenha: As lembranças do arquiteto do último título do Auto Esporte
12/10/2026 07:15
Clóvis Roberto Clóvis Roberto

São mais de 30 anos sem títulos, convivendo com crise financeira e esportiva ano após ano. A realidade vivida atualmente pelo Auto Esporte Clube contrasta com o período do início dos anos 90, quando a equipe conquistou seus dois últimos títulos de Campeão Paraibano. O elenco tinha atletas como o atacante Isaías, Neto Surubim e Neto. O arquiteto da montagem daquele time automobilista vitorioso foi Vicente Paulo de Oliveira Lamenha, presidente do Auto Esporte Clube de 1991 a 1992. Hoje, aos 80 anos, morando em Campina Grande, ele rememora a montagem do elenco, as conquistas e lamenta a situação atual do clube: “O Auto Esporte é grande, só está adormecido!”
 
Vicente Lamenha, natural de Maceió, Alagoas, relembra que chegou a João Pessoa em 1987 para trabalhar na iniciativa privada após morar 40 anos em Recife, Pernambuco. Lá, ele atuou durante muitos anos como diretor do Sport Club Recife e mantinha contatos com os outros dois grandes pernambucanos, o Santa Cruz e o Náutico.

A experiência com o futebol pernambuco fez com que recebesse um convite para integrar a diretoria do “Autinho do Amor” assim que veio morar em João Pessoa. Ao chegar, ajudou na montagem do time alvirrubro que viria a conquistar dois títulos paraibanos.

Em 1990, o Auto Esporte sagrou-se Campeão Paraibano. Na ocasião, Vicente Lamenha era diretor de futebol. No ano seguinte, viu o Campinense levantar a taça, Já em 1992, agora como presidente, ele conduziu a equipe automobilista na conquista da taça estadual diante do Treze, em Campina Grande. “Por acaso foi indicado por um amigo do Recife, o Guerrinha, que quando me viu em João Pessoa, disse que ia me levar para o Auto Esporte”, apontou Vicente Oliveira,

Vicente Lamenha rememora que a montagem da equipe foi fruto da sua experiência e contatos do futebol pernambucano para trazer atletas de Sport, Santa Cruz e Náutico para o Auto Esporte. Foram quatro jogadores vindos do Sport, quatro do Náutico e três do Santa Cruz. Também foi feito um trabalho de “garipagem” e foram trazidos atletas contratados de equipes do interior que estavam demonstravam potencial. Eles foram integrados a um grupo mais experiente que formava a equipe alvirrubro.

“Eu trouxe quatro jogadores do Sport. Aí juntou mais quatro que eu trouxe do Náutico e mais três do Santa Cruz. Vieram nomes como Neto Surubim, Deoclécio, Washington, Mauro, Dido. “Eu trouxe 11 jogadores do futebol pernambucano para o Auto Esporte. Juntou aqui com outros jogadores como Zenóbio, o goleiro; Gilmar, o lateral; Carlinhos Paraíba, Adriano, Gil Bala e juntou com Isaías, Roberto Michele, Valber”.

Vicente Lamenha explica que a união de experiência e juventude deu o equilíbrio para o time do Auto Esporte. “Eu acompanhando bem o futebol tinha um certo feeling para a coisa, vê quem joga bola e quem não joga. Então, eu via um moleque bom de bola no Sousa, no Atlético de Cajazeiras, no Guarabira, aí trazia para o Auto Esporte. E aí juntava com os que já estavam aqui”, revela.

O dirigente rememora a conquista do do Auto Esporte como Campeão Paraibano, em 1992. Foram três jogos contra o Treze. O primeiro em João Pessoa foi ganho pelo alvirrubro, por 1 a 0, no estádio Almeidão. O segundo jogo foi no Amigão, em Campina Grande, e terminou empatado em 0 a 0. O terceiro confronto, também na casa do Treze, foi mais sofrido. No tempo normal acabou 4 a 0 para o Galo. O regulamento previa uma prorrogação. Foi aí que brilhou o Auto Esporte. Cristiano marcou 1 a 0 para o alvirrubro, que ficou com a taça.

Vicente Lamenha diz sorrindo: “Os campinenses não gostam muito de mim não, especialmente os trezeanos, porque foi aqui que a gente foi campeão em 1992!”

O ex-presidente do Auto Esporte revela que chegou à presidência do clube em 1991, após a conquista do primeiro título, por falta de opção. “O presidente do Auto Esporte era Benedito Honório da Silva. Ele era vereador e alegou que era incompatível ocupar paralelamente o cargo de dirigente de futebol e a função política. Com isso, ele renunciou. Porém, nenhum conselheiro do Auto Esporte quis assumir a função. Por um acaso eu fui eleito no pleito. Fui indicado para ser presidente do Auto Esporte por absoluta falta de concorrente”, afirma sorrindo.

Porém, na bagagem Vicente Lamenha já trazia a experiência de ser dirigente no futebol pernambucano. “Fui conselheiro do Sport por oito mandados de dois anos. Eu vivi dentro do Sport por 16 anos. E, como eu vivia dentro das hostes esportivas de Recife, eu conhecia muito o pessoal do Náutico e do Santa Cruz. Eu tinha um trânsito muito intenso no futebol pernambuco”.

O ex-presidente Vicente Lamenha rememora que quando passou o bastão do comando do clube em 1992, após o novo título de Campeão Paraibano, deixou o dinheiro arrecadado do jogo contra o Treze, mais de R$ 8 mil à época. E disse: “Está aqui o dinheiro apurado. Vamos ver o que é que sobrou, vamos ver o que nós temos a pagar e terminei a minha missão. Eu deixei 16 jogadores profissionais com passe vinculado ao Auto Esporte”. Os jogadores contratados representam capital do clube.

Após a saída de Vicente Lamenha da presidência do clube vários jogadores foram negociados. “De 92 para cá começou a derrocada do Auto Esporte dura até hoje. Infelizmente, o Auto Esporte não saiu mais do marasmo que está!”

Sobre se sente saudades da equipe campeã do Auto Esporte, Vicente Lamenha, afirma que sim. “Eu sinto muita saudade. O futebol é inebriante, futebol é uma cachaça!”. E acrescenta quais são as suas três paixões futebolísticas. “Em primeiro lugar, o Sport Recife. Depois, o Auto Esporte. Em terceiro assistir o futebol bem jogado, independente de clube. Eu não abandonei o futebol. Eu vejo sempre tudo! O ex-presidente do Auto Esporte completa. “Com o esporte você salva as pessoas da marginalidade, das drogas”.

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